Há muitas décadas que as pessoas já estão habituadas a, durante o mês de Abril, terem de pagar a décima relativa aos seus bens imóveis rústicos ou urbanos.
Mais recentemente, esse imposto foi dividido por duas ou mais prestações, mas a primeira continua a ser sempre no mês de Abril. Os valores passaram a ser mais elevados, como tal, recentemente, foi dada a possibilidade de ser pago em várias prestações.
Mas este ano as coisas foram, ou estão ser, um pouco diferentes. Primeiro, porque a décima, como tudo na vida, morreu, ou melhor deu lugar ao IMI - ao qual já ouvi chamar de Imposto Mais Injusto. Como este imposto incide sobre o valor das propriedades e estas foram reavaliadas, em muitos casos para valores superiores, muita gente está a ser surpreendida com valores muito elevados de décima a pagar.
Bom, até aqui nada de anormal, dirá o leitor. Mas o que tem o título desta crónica a ver com a décima ou IMI?
Tem tudo. Como a décima/IMI tem sido tema de conversa frequente por todo o lado, assisti no final do mês passado a uma troca de opiniões entre proprietários acerca deste assunto. Enquanto uns defendiam que era injusto trabalhar uma vida inteira para ter uma casita para não depender do governo e ainda ter de pagar por isso, outros afirmavam que quem está bem é quem vive de aluguer ou nos bairros do governo. Outro ainda contava a história do seu irmão Manuel:
- A viver só mais a mulher com aquele casarão vai pagar uma bomba! Coitado, andou a esfolar-se na Venezuela para fazer a casa e ainda trabalham que se lixam todo o dia, para dar ao Estado e eles darem à bandidagem.
Com a conversa ao rubro, a Teresa do Jacinto, única mulher no grupo mete o guedelho para dizer:
- Dizem que é para os da Câmara! e vocês nunca ouviram dizer que casa só quanto caibas e terra o mais que possas? Da casa ninguém come, só dá despesa, e da terra podes tirar tudo o que precisas. Não sei para que fazem casarões tão grandes só para duas pessoas, eles querem é mesmo isso é mais de licenças e todos os anos mais décima.
Joel Freitas, Empresário
Joel Freitas