Durante décadas os defensores do ambiente e da sustentabilidade foram enxovalhados e perseguidos pelo próprio governo regional e pelos seus caciques. Este governo, que se arrasta há mais de 30 anos, foi avisado inúmeras vezes para as graves consequências das jardinices que andava a praticar. A resposta foi sempre o insulto e a casmurrice, persistindo na destruição do nosso ganha-pão.

Com a jardinice de construir uma muralha megalómana no Jardim do Mar destruíram o sustento que a freguesia tirava do surf; Com a jardinice de construir uma marina no Lugar de Baixo já deitaram ao mar mais de 100 milhões de euros sem proveito nenhum; Com a jardinice de construir o gigante Colombo Resort em cima das dunas da praia do Porto Santo fizeram mais um elefante branco e desqualificaram o destino turístico; Com a jardinice de implantar uma cidade turística (Quinta do Lorde) dentro da Reserva Natural da Ponta de São Lourenço abriram caminho para mais um projeto imobiliário encalhado.

A lista de jardinices é longa e continua com as terras atiradas ao mar que destroem os fundos marinhos e a atividade do mergulho; Com a viabilização da construção de um radar militar no Pico do Areeiro que destrói a paisagem, desfaz-se com o vento e está cheio de problemas técnicos; Com a ocupação e estrangulamento das ribeiras que agravam o problema das cheias; Com a falta de prevenção de incêndios que devasta a floresta e atinge as nossas casas; Com os enrocamentos marítimos em cada sede de concelho que arrasam o nosso litoral; Com as obras megalómanas no Funchal que destroem a baía e não acrescentam segurança; E com muitos outros exemplos para os quais não tenho aqui espaço suficiente para os referir.

Até quando continuaremos a admitir estas jardinices na nossa própria terra?

Hélder Spínola, Deputado da Nova Democracia