Estou absolutamente convencido que a famigerada crise que Portugal atravessa, assim como muitos países da U. E. resulta de uma tramóia bem elaborada para manter a hegemonia dos grandes grupos como a Goldman Saches e outros grupos da alta finança, sobre as populações e sobre os Governos, agora totalmente dependentes do crédito. Já nenhum país pensa sequer em viver dos seus próprios recursos financeiros ou seja, das receitas de Estado. E o caricato é que afinal todos estes esforços e sacrifícios é apenas para que os países possam continuar a ter acesso aos mercados de capitais ou, por outra palavras, poderem continuar a endividar-se. Muitos se admiraram quando José Sócrates afirmava que a dívida contraída pelos países não seria para pagar. Nessa altura fiquei chocado com tal afirmação porém, compreendo agora que ele sabia o que dizia. Ele sabia que a engenharia financeira montada pelos grandes grupos económicos era exatamente para movimentar uma fabulosa fonte de receita gerada pelos juros da dívida, por essa Europa fora, já que os montantes astronómicos de um capital fictício seriam impossíveis de pagar.

Muitos se lembram que a atual U.E, antes Comunidade Económica Europeia (CEE), cujo tratado de Roma foi assinado em 1957 pela Alemanha Ocidental, frança, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo e dirigida pelo M. Negócios Estrangeiros francês Robert Schuman , tinha uma orientação e um espírito bastante diferente do que se tornou a partir da entrada de Portugal e Espanha quando passou a designar-se U.E. Esta é uma nova versão daquela que, na sua fundação, se designou de Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, (CECA). Esta nova U.E. tornou-se mais calculista quando começou a facilitar a entrada de outros países europeus fossem ricos, pobres, grandes ou pequenos. Isto porquê ? porque o grande objetivo da U.E era facilitar dinheiro a quem quisesse e cobrar os respectivos juros. Mandaram abater frotas de pesca com o objetivo de moderniza-las, condicionaram a agricultura , a indústria corticeira, naval, vidreira e até as quotas de produção do leite. Eles sabiam perfeitamente que estavam a passar uma grande rasteira a governantes mal formados e ávidos de dinheiro para alimentar protagonismo e ganhar eleições. Esta tenebrosa Troika encabeçada pelo BCE e seguida dos bancos centrais viram nas novas adesões à U.E um grande filão a explorar (empréstimos) e não perderam tempo. Eles sabiam que o grande negócio eram os juros gerados pelas dívidas. Arrisco ainda afirmar que esta maldita crise já estava calculada e não surgiu ao toque da varinha mágica de uma qualquer fada maligna. Eles sabiam que a crise seria mais agravada pela corrupção do que pelos excessos de consumismo. Cabe aqui referir que Portugal à data de abril de 2013 já havia pago à Troika 1.700 milhões de euros só em juros e que, paradoxalmente, a dívida pública ainda havia aumentado, em apenas um mês, 400 milhões de euros. Posto isto quem acreditará que Portugal ou outros países possam honrar a sua dívida? Com a queda das receitas fiscais motivado pela falência do tecido empresarial, um desemprego em ascendente, um empobrecimento acentuado da população e um défice acima dos 120% do PIB facilmente se compreende que esta monstruosa dívida não é para pagar é para se ir pagando. Hitler alimentou o sonho de conquistar a Europa pelas armas, a Srª Merkel tem o mesmo sonho porém com uma arma, hoje, mais poderosa: o dinheiro.

Os danos colaterais, desta "guerra" é que foram mal equacionados uma vez que ao empobrecerem as populações estagnam a economia e a consequente circulação de bens e serviços estragando assim o grande negócio: os juros. Também não previram que um dossier "Wikileaks" apressasse a denúncia de vários esquemas fraudulentos e mafiosos como os agora conhecidos "swaps. Por sua vez o poder das redes sociais encarregam-se de trazer tudo ao grande público incluindo a corrupção entre política. Tal a precipitação dos acontecimentos acredito numa nova ordem, se não mundial, pelo menos europeia onde o sistema financeiro, o judicial, os vícios da democracia e a corrupção terão que ser profundamente corrigidos sob pena, a curto prazo, da desintegração da U.E. Acho que será altura de começar a pensar numa Europa federada com gente séria que não veja na governação um meio de criar ricos mas sim um meio de criar riqueza.

Juvenal Rodrigues