O Dr. Relvas foi embora, e até a equivalência lhe tiraram; Gaspar mantém a cadência e não desarma, Passos Coelho confunde teimosia com perseverança e não desiste… O inseguro Tó Zero não quer governar, mas lá vai dizendo o contrário, baixinho para ninguém o ouvir; Jerónimo e os bilíderes bloquistas vociferam "Morra a Troika" e clamam por eleições; um Sócrates ressuscitado e impante de lábia e lata vai branqueando o passado, enquanto se revela acérrimo defensor da honra do Tribunal Constitucional, que pelos vistos é o culpado da crise. E o Presidente da República, o que faz? Continua a gerir o silêncio como se fosse ouro, a defender a imobilidade como se fosse uma sábia estratégia, a cultivar a inutilidade como se fosse um jardim…Cada intervenção sua é um cortejo de não-frases, uma tomada de não-posições, como se nos tentasse convencer que um zero à esquerda acrescenta valor. Quanto a atitudes corajosas, como convocar os partidos para um governo de unidade, que nos resgate a soberania, nem pensar…Em Belém, sê pastel! E a Madeira, como vai? Ainda pior que o país. Um Governo Regional paralisado, sem estratégia nem reacção, suportado por um partido dividido, que se esboroa a cada dia. Perante o inevitável fim de ciclo, Alberto João Jardim age como todos os ditadores a quem o poder cegou: os inimigos já não são só externos, estão também dentro do partido e são traidores; o Governo central é um monstro, comandado pelo CDS-Madeira. O maior partido da oposição regional tornou-se alvo de todos os tiros: está mancomunado com os ingleses, conspira com Miguel Albuquerque, José Manuel Rodrigues é atacado por se eternizar como líder (!), enfim, chega a ser penoso de tão delirante…até contestatários anónimos são tratados como cachorros, sinal de que quando os homens ladram a caravana já não passa! Mas aqui o cenário duma governação suprapartidária ou partilhada ainda não é possível. O poder vai ter mesmo de cair de podre. O fim está próximo, e seja por explosão ou implosão, não irá tardar. As próximas eleições autárquicas são já vistas como o cartão vermelho que cada vez mais madeirenses querem mostrar a estes senhores. Em todos os concelhos é notório um desejo de mudança, mas cada um deles é um caso particular e revela uma dinâmica própria. No Funchal temos um pouco de tudo na ementa - um candidato de meio PSD que lança nomes de apoiantes em catadupa, em estilo "caldeirada"; uma coligação que não é carne nem peixe mas inclui vegetais, e uma candidatura de difícil digestão para os adversários, apesar de só ter apresentado o prato principal. Nos restantes concelhos, apesar de todas as máquinas já estarem em andamento, notam-se diferentes velocidades. Novidade, para além dos ventos de mudança, parece ser o aparecimento de movimentos de cidadãos. O caso de Santa Cruz, onde o Juntos Pelo Povo se tornou, por mérito próprio, incontestável e incontornável, poderá ter inspirado esta onda de "independentes", que levam aspas precisamente porque nem sempre o são. Ainda é cedo para aferir da credibilidade destes movimentos, e admito que alguns não deverão passar de fantasmas ou produto de imaginações férteis, mas para bem dos madeirenses espero que tenham os mesmos princípios e revelem o mesmo carácter do que é encabeçado por Filipe Sousa; que emanem genuinamente do povo, e não sejam meros agrupamentos de ressabiados que apenas pretendem chegar ao poder sem lhe mudar a cor. Que seja o bom senso a prevalecer, e o voto a decidir.

Raul Ribeiro