O governo do Chipre prepara-se para aplicar a medida mais sanguinária de toda a austeridade aplicada aos povos europeus. Sem qualquer tipo de pudor, vão roubar 10% dos depósitos a quem tem mais de 100 mil euros no banco e 6,6% a quem tem menos. Um assalto (sem aspas) a que não vão escapar as pequenas poupanças de uma vida, os planos de pensões e os pequenos investimentos. Tudo para tapar os enormes buracos criados pela banca que, como em todos os países ocidentais, provocou a crise e está alimentar-se dela.

O comportamento do governo cipriota é tão asqueroso que vai ao ponto de anunciar a medida num sábado, sabendo que na segunda-feira era feriado e ninguém podia retirar o dinheiro dos bancos. Um crime com premeditação.

Este é o mais recente exemplo da loucura colectiva a que chegaram os governos europeus e que, por muito que custe reconhecer, vai levar a situações dramáticas que deverão atingir níveis de violência muito perigosos. Não será surpresa para ninguém se, hoje, no Chipre, começarem a destruir agências bancárias e a ameaçar os políticos. E os cipriotas são tudo menos mansos.

O pior é que, lá como cá, os políticos foram atacados por um surto autista e recusam-se a perceber o que diz o povo e mantêm uma rumo que há muito demonstrou ser uma estupidez. Preferem seguir a Alemanha que cumpre a sua tradição e arrasta a Europa para uma nova catástrofe. Ainda não pararam para pensar que sempre que a Alemanha quer expandir a sua influência, seja política ou económica, acabamos todos aos tiros e à fome. Tudo aponta para nova tragédia.

Seguindo a linha de loucura colectiva dos políticos da União Europeia, ontem, o nosso primeiro-ministro inaugurou um novo modelo autista de intervenção: o acto público à porta fechada. Num estabelecimento de ensino superior, onde ia falar de recursos humanos, do futuro do país e dirigir-se aos jovens, perante os protestos dos estudantes, fechou-se num auditório e ficou a pregar para cadeiras vazias... Patético, mas verdadeiro.

Os governantes já pisaram o risco – na Madeira há muito que o ultrapassaram – mas teimam em não reconhecer que estão a cair no abismo. Infelizmente, por mais trágico que possa ser, parece que só vão perceber quando o nível da tragédia atingir o patamar da guerra civil.