Ele quer e vai fazer tudo para continuar, mesmo que o partido e os poucos dirigentes com alguma capacidade de olhar á volta não o queiram. Já não restam muitas dúvidas de que Alberto João Jardim está a mexer-se para concorrer a mais um mandato à frente do PSD-M.

A situação já era discutida, há meses, no interior do partido, mas foi Miguel Mendonça, amigo e médico pessoal que fez o diagnóstico: tem fôlego para mais uma mandato. Há pouco tempo, isto era suficiente para todos os delfins arrumarem as armas, voltarem ao seu lugar na retaguarda e esperar sentados.

Mas como as coisas já não são o que eram, foi preciso explicar com todas as letras, nos jornais do partido, no oficial e no oficioso (o título é aleatório entre as duas publicações laranja): o PSD-M fez... porcaria, são todos uns incapazes, não sabem falara ao povo e só por isso apanharam a banhada nas urnas. Solução: não atrapalhar e deixar quem sabe resolver o problema.

Também para que não restassem dúvidas aos mais distraídos, no espaço de ‘cartas do leitor’ do órgão oficial/oficioso vomitam-se textos de ataque directo aos candidatos, mesmo aos mais moderados. Nem Sérgio Marques escapou e levou um selo de ‘politicamente correcto’, assinado por um qualquer ‘Augusto Pestana’ ou outro pseudónimo sorteado.

O partido, já KO com o massacre eleitoral de Setembro, fica em estado de choque: quem vai dizer ao homem que está maluco? Provavelmente ninguém. No meio de tudo isto há duas personalidades que esfregam as mãos e por motivos diametralmente opostos: Albuquerque e Victor Freitas.

O primeiro, sabe que se voltar a enfrentar a Jardim nas directas do PSD-M ganha de goleada. O líder socialista ‘reza’ para que possa enfrentar o actual presidente do Governo em 2015. Outra goleada previsível.

P.S. – A minha vontade era escrever sobre Nelson Mandela, foi essa a ideia inicial, mas seria de uma arrogância intelectual indesculpável querer falar sobre alguém da sua dimensão. Nós, comuns mortais, ficamos num compreensível estado de adoração perante um gigante destes. Só posso dizer que agradeço ter vivido neste tempo, ao mesmo tempo que Mandela e, por uma benesse profissional, ter estado no final do seu mandato presidencial, na África do Sul. Obrigado.