José Arlindo Aguiar Gouveia Caros Leitores, lendo o Diário de Noticias de hoje dia sete de Dezembro, deparo-me com a notícia intitulada de "Matança do Porco Fora da Lei" em que uns "artistas" da Plataforma Viver assumem que a nossa matança do porco (tradição madeirense da nossa Festa), deve ser banida das tradições Madeirenses… que belo exemplo de democracia em não aceitar as vivências que adquirimos ao longo de gerações em gerações, pela lei da imposição acaba-se com aquilo que vai passando de geração em geração. Eu pergunto a esses artistas, o que devemos comer no dia de Natal? Salada de silvado, sopa de carqueja, creme de urtigas e já agora espetos de eucalipto assados com banha de cobra… acho uma boa ementa mas mesmo assim confesso, que estes ingredientes também são seres vivos!
Só gostava de saber o que estes artistas (tão amigos do ambiente e preservadores das espécies – a meu ver mais extremistas que papistas) vão comer na quadra natalícia? Mesmo seguindo a linha vegetariana estaremos todos a causar sofrimento aos seres vivos que também são as plantas ou será que não?
Já não basta o Passos Coelho tirar-nos o suor do nosso trabalho ainda aparece uns artistas que nunca os vi pegar na enxada e trabalhar no campo cultivando e limpando aquilo que muito nos honra, a bonita paisagem madeirense, virem apregoar estas notícias… será que devemos alimentarmo-nos do abstracto???? Nunca aprendi isto como forma de sobrevivência… nem espiritualmente rezando sobrevivia sem comer…
Confesso que ao longo de quarenta anos já vi muita loucura mas chegámos a um ponto que é preciso dizer basta! E também dizer com tonta a frontalidade averguem o serrote e trabalhem porque o vosso problema é lazer a mais…. E como se diz na minha terra, é bilhardice de metro e meio…
Oh meus senhores confesso que não sou adepto da tortura mas o que propõem como alternativa é atordoar o porco, ora isso não é sofrimento, tortura!!!!!???? Da mesma forma que nos desrespeitam com as vossas posições extremistas, nada abonatórias em prol da biodiversidade e do respeito pelos modos de vida e costumes dos outros… peço-vos, que muito inteligente seria da vossa parte seguirem o exemplo de milhares de madeirenses que não precisam aparecer no Diário a dizer asneiras mas trabalham arduamente um ano inteiro, para que nesta quadra possam ter uma oportunidade de reunir a família e manter viva a TRADIÇÃO DA MATANÇA DO PORCO!
Ao longo dos anos muito se alterou na nossa sociedade rural madeirense, alguns exemplos: quase todas as famílias criavam gado, cabras, ovelhas mas principalmente a vaca de leite (ordenado para o sustento da casa) para além de termos manteiga fresca para o pão de casa acompanhado de cacau, o gado alimentava-se daquilo que dava nos nossos campos sem auxílio às rações, criava-se o porco para a carne de vinha d`alhos e termos carne e banha para quase o ano inteiro. Não havia casa que não tivesse galinhas para a canja da festa e ovos para os bolos e broas. Tudo alimentado de forma sustentável, tirava-se do campo o seu alimento e os estrumes devolvidos à terra para fortalecer de forma natural aquilo que cultivávamos… Isto sim é desenvolvimento sustentável, isto sim é ser amigo do ambiente como o João Verdinho!
Hoje é dia sete de Dezembro de dois mil e treze, no dia um de Janeiro de dois mil e catorze faz vinte e oito anos que entrámos na então Comunidade Económica Europeia hoje União Europeia, com todos os defeitos e virtudes que se apresenta mas uma coisa é certa… a entrada de milhões e milhões de euros pela Madeira adentro não me corrompeu a minha forma de ver a vida e defender aquilo que é o interesse duma tradição… aquilo que é defendido na referida notícia não é mais do que o pensamento dos burocratas de Bruxelas influenciados pelos ditadores comerciais Norte Americamos e cegos defensores duma Globalização sem precedente na nossa rica História.
Apelo a todos as Madeirenses que conscientemente saibam distinguir aquilo que é uma tradição daquilo que é uma imposição de gente desocupada e sem conhecimento das nossas tradições… muito longe da realidade dos nossos dias.