Se nos detivermos a pensar para lá da espuma dos dias, percebemos que nestes tempos duros e difíceis podemos prescindir de quase tudo, mas não podemos prescindir nem da Liberdade nem do Futuro.
O Povo Madeirense, que é muito mais do que a soma dos eleitores – contribuintes, precisa de um novo desígnio colectivo que desperte em todos nós um novo animo e uma nova esperança para os próximos anos.
Esgotado o modelo de desenvolvimento perfilhado, teimar na mesma receita apenas agravará a resolução dos problemas que nos conduziram ao actual estado de desesperança colectiva.
Todos constatamos, à nossa custa, a falência do sistema: endividamento público exponencial, encerramento de empresas, aumento brutal do desemprego, emigração de quadros qualificados, crescimento da pobreza e da exclusão, fomento da desigualdade social e da frustração individual.
No actual quadro político de resistência à mudança a Madeira não é dona do seu futuro e não dispõe de qualquer poder democrático de decisão.
É este um tempo que impõe a todos uma disposição essencial para a responsabilidade social e para a coragem moral.
É uma ilusão acreditar que nas actuais circunstâncias o adiamento da renovação de soluções pode favorecer a nossa comunidade.
Sem estigmas de perseguição, de inferioridade ou de sectarismo, em liberdade, num debate transversal a toda a sociedade, temos o dever e a capacidade de relançar a nossa Região rumo a um futuro promissor.
Só temos de decidir o que se pretende e qual a forma adequada para afirmar no contexto nacional e internacional as vantagens competitivas de uma Região belíssima, com especificidades únicas, e cujas potencialidades na área do Centro Internacional de Negócios, no Turismo, na atracção de Investimentos, na Natureza, e em muitos outros sectores, não estão devidamente aproveitadas, e são suscetíveis de inverter o actual ciclo de empobrecimento e de dependência numa lógica e num esforço comum que para os Madeirenses faça sentido.
A resignação e o imobilismo só servem para aqueles que não acreditam em si próprios nem no futuro da sua Terra.
Miguel Albuquerque