Depois das últimas eleições na Madeira a vida democrática e a vida das instituições da sociedade nunca mais será igual àquilo que foi no passado destes longos 40 anos da história moderna madeirense. Depois de experimentar um ‘voto novo’, depois de acreditar na mudança, o eleitorado quebrou a inércia que o caracterizava e gerou uma dinâmica de transformação que marcará o futuro da Região Autónoma da Madeira. A vida em sociedade tornar-se-á mais interessante, mais criativa, mais inovadora. Mas também mais complexa. Estão agora reunidas as condições mínimas para aquilo que eu sempre ambicionei: uma Madeira Normal. Escrevi e disse-o várias vezes, inspirado por aquilo que tinha lido de Gorbachov sobre a União Soviética. Recordo que no meio das enormes transformações que abalaram o mundo, Gorbachov – o actor principal da mudança – dizia simplesmente que queria que o seu país fosse um ‘país normal’. “Normal” significava, neste caso, viver em normalidade democrática com instituições que funcionam, com mecanismos de transparência e de responsabilização, com escrutínio eleitoral, com comunicação social livre, com sindicatos autónomos, com associativismo genuíno, com arte livre e expressiva, com ciência criativa e conhecimento, com justiça ‘justa’… Com uma sociedade civil liberta. Uma Madeira Normal… Penso que vamos a caminho desse ponto. Agora aparecerão novos protagonistas. Uns por convicção e sentido de serviço cívico, outros por oportunismo ou melhor por aproveitamento da oportunidade da mudança. Todos marcarão uma situação nova, mais aberta e mais responsabilizante. O populismo e a demagogia não ficam para trás. Mas este regime populista está derrotado e não sobreviverá. Por vontade própria despeço-me hoje desta coluna mensal do Diário, depois de uma colaboração de muitos anos. Recordo quando há duas décadas apoiei activamente (e ajudei a baptizar…) o Suplemento “Economia & Empresas” do Diário. Desde então iniciei uma colaboração que muito me honra. Agora, tal como com a ‘limitação de mandatos’, é tempo de novos protagonistas.
Maximiano Martins Deputado do PS na ALM