Ingredientes: dezenas de políticos com actividades de compatibilidade duvidosa; uns quantos políticos mais preocupados com as agendas eleitorais do que com a causa pública; uns interesses corporativos; um sentimento de impunidade crescente; uma comunicação social a quem quase tudo é permitido; recursos públicos deficientemente afectados; um estado de dimensão exagerada; uma carga de produtividade reduzida; discurso político hipócrita q.b.; crescente confusão de valores na sociedade q.b.; Receita: Junte os dois primeiros e misture-os bem até obter um conjunto de partidos desacreditados e incoerentes; pegue nos interesses corporativos, junte a comunicação social a quem quase tudo é permitido e misture os recursos públicos deficientemente afectados, o estado de dimensão exagerada e a produtividade reduzida, de forma a atingir uma despesa pública, um deficit público estrutural e uma dívida pública inadmissivelmente elevados; junte o discurso político hipócrita a gosto; regue o preparo com o sentimento de impunidade crescente até obter um poder político fraco e menos cidadãos disponíveis para a política, logo uma decrescente qualidade dos agentes políticos; repita o processo anterior até que a situação se agrave claramente; Ingira a qualquer hora, de forma a reduzir a vontade de dizer NÃO, permitindo a fortificação das minorias. Caso se aperceba que a carga fiscal se torna insustentável, procure ajuda, pois o mal estará feito e a recuperação requererá muita energia e empenho, sendo que os lamentos pouco ajudarão (texto inspirado na intervenção do Dr Rui Rio na conferência promovida pela organização das 100 MM, adaptado à época festiva que se aproxima e que nos leva a recorrer mais a receitas).

Rui Gomes Coelho Economista