Manuel Pita Na passada sexta-feira, por volta das dez da manhã, a minha Mãe teve alta no Hospital Dr. Miguel Mendonça, tendo sido pedida uma ambulância para a transportar para a sua residência, em Câmara de Lobos. Às 15h, como não houvesse transporte e porque os bombeiros do Funchal informaram que, mesmo o doente pagando, não a podiam transportar, levamo-la, a muito custo, para casa. Já passava das 20h quando os serviços do dito hospital central do Funchal telefonaram a questionar aos familiares onde estava a doente, porque a ambulância tinha chegado e estava disponível. Isto, dez horas depois de ter tido alta! Entretanto a doente, num estado muito debilitado, ficaria nos corredores do hospital, deitada numa desconfortável cama, rodeada de ruídos e contaminações mortíferas, para quem está num estado tão debilitado… E eu pergunto, se uma pessoa que descontou para a Segurança Social a vida toda merece um tratamento tão impessoal, tão desumano, tão pouco cristão. Concordo que os critérios economicistas devem ser prática obrigatória, alicerce de uma boa gestão, mas sempre sem lesar os direitos mais elementares, que a solidariedade humana exige cumprimento obrigatório. Mas estes princípios basilares da nossa educação, que sempre nortearam o nosso modo de estar na vida, para com a nossa Família e para com os outros, não são prática corrente nos dias de hoje. Infelizmente criámos uma geração de decisores e governantes que, ao contrário da mulher de César, têm apenas de parecer, não precisam ser. Para que a ilusão perdure e justifique o voto dos eleitores que, democraticamente, saciarão as suas vaidades, ambições e falta de carácter solidário… Como eu compreendo e sou solidário com os doentes deste país! Que país este que nega as evidencias e os direitos mais elementares dos seus cidadãos!