Sabe quem me conhece que não sou muito católica, e não é por ser Natal que fico hipócrita. Contudo, escorrega-se-me a mão para o tema, e sinto a caneta deveras tentada a ensaiar sobre a profecia.
Messias significa, entre outras coisas, “O Consagrado”, e referiu-se, em tempos, à profecia da vinda de um homem, descendente do Rei David (o maior e mais amado rei de Israel), que iria restaurar aquele reino, trazendo desta forma a paz ao mundo.
No entanto, segundo relatos da época, além de Jesus surgiram outros “messias” que, prometendo o alívio da opressão romana, encontraram muitos seguidores. Fala-se de Theudas que, por volta de 44 d.C., conseguiu convencer 400 pessoas a seguiram-no até o Jordão, onde prometeu dividir todos os seus haveres pelos seguidores. Houve também um messias egípcio que terá conseguido agregar milhares de apoiantes, garantindo que sob o seu comando as muralhas de Jerusalém iriam ser desmoronadas. Todos estes “messias” morreram na tentativa de concretização de promessas, e entre estes muitos outros, por certo muitos mais do que reza a história…
Ora, há uma sinistra semelhança entre o que está relatado nas escrituras e aquilo a que assisto presentemente. Tal como o povo judeu, esperando ansiosamente o surgimento de um salvador, os madeirenses dividem-se pelos vários “messias”, que prometem a restauração do reino de… Alberto. Cuidado com os “messias”…
Sem querer pregar o meu ceticismo, “em boa verdade Vos digo” não há homens filhos de virgens, nem homens capazes de ressuscitar mortos. Para liderar judeus e madeirenses, não há messias, há homens!
Rubina Sequeira