Sendo o mais honesto possível o que sempre me atraiu nesta música que anda sempre à minha volta, foi o facto de que está sempre a mudar, todos os olhos estão colocados no disco que irá sair, não naquele que já toca há meses (se bem que existem algumas excepções), enquanto alguns estão a copiar um som esculpido por outros, lá à frente no underground as coisas já estão frescas de novo, e é isto que me tem mantido com interesse ao longo dos quase vinte e cinco anos que ouço música de dança. Nos últimos tempos assisti a uma dezena de produtores a chegarem ao “topo” daquilo que poderá ser entendido por alguns como uma carreira de sucesso, vendem discos, esgotam as salas de espetáculo, tornam-se celebridades… nestes últimos anos a atenção dedicada à música electrónica foi tanta que a própria música pop transformou-se, as bandas de rock, e especialmente artistas de hip hop juntaram-se a este movimento, organizaram-se vários festivais em todo o mundo para celebrar o “mainstream” (comercialismo) a nova estrela? O Dj! Mas este Dj, celebrado tantas vezes pelo público com os braços no ar não é propriamente fiel ao conceito original, é um gajo tipo David Guetta que fingia estar a tocar para a audiência quando na verdade o que estaria a sair para as colunas não era nada mais que um “set” gravado previamente, que lata, mentir assim ao publico que o sustenta… Mas 2013 tem sido bom para esses “artistas” que não procuram nada mais do que dinheiro, esse som comercial que tanto pregaram está a sair dos radares, este ano o top inglês foi invadido por artistas que se calhar estavam mais acostumados a ir tocar ao Fabric em Londres do que propriamente serem tocados na MTV, nomes como Joy Orbinson, Chris Malinchak, Ben Pearce e Duke Dumont viram os seus discos chegarem aos ouvidos do mundo, isto para não falar dos Disclosure e dos Daft Punk. É certo que todos os discos dos artistas que referi continuam a ter um apelo muito forte a nível da pop, mas é um som fresco, esculpido por jovens cheios de novas ideias e só por isso acho que as que estamos em boas mãos.

Um ultimo parágrafo para ser dedicado ao meu amigo Dj Marco Camacho, um homem que viveu como poucos, um profissional exímio um ser humano extraordinário, sentiremos muito a tua falta Até para o ano

Michael C