A. G. Mendonça A pretensão do Clube Sport Marítimo na concessão do Centro Desportivo da Ribeira Brava, vem na linha a que nos habituou o presidente do referido clube, que é a de chamar para a alçada do seu clube património que é da região.
Não se pode considerar governo quem construiu um enorme centro desportivo para agora estar ao abandono. Quem são os responsáveis? A quem interessou e beneficiou com aquela obra? Quantos milhões custaram?
O irracional maior da ilha, que destruiu a Pista de Atletismo do Estádio dos Barreiros, mandou os cidadãos irem correr para a Ribeira Brava, julgando que tal como ele as pessoas tinham carro e combustível à borla. O que sabemos e vemos é que quem substituiu a referida pista de atletismo são os passeios da Estrada Monumental, o que diga-se tem as suas vantagens, como seja os encontrões com as pessoas que lá circulam, ir parar, sem querer, à estrada onde circulam carros e, sobretudo, o ar muito puro que se respira devido aos gases expelidos pelos automóveis. O Estádio dos Barreiros foi há longos anos adquirido em hasta pública pelo Estado, para uso fruto da população. Não foi, com certeza, para uma besta qualquer oferece-lo a quem muito bem entendesse e nem o uso fruto de um circuito de manutenção as pessoas tiveram direito.
É manifestamente obscena a quantia que o desgoverno da região tem gasto ao longo de trinta e tal anos com o futebol profissional numa terra pequena, pobre e sem recursos. Tais verbas dariam para a construção de uma dúzia de hospitais iguais ao que existe na Cruz de Carvalho e ainda sobrava muito dinheiro. No entanto nem um construíram, sabendo-se há muito tempo que faz falta à região um novo hospital. O Hospital dos Marmeleiros está bastante degradado e cada dia que passa a degradação é maior.
Veja-se o caso do Portosantense que entretanto anunciou que ia fechar portas e que durante tantos anos, mesmo na 3ª.divisão nacional, manteve uma equipa profissional de futebol, tendo o tal desgoverno atribuído vários milhões de euros. Também no Porto Santo tiveram uma equipa profissional de hóquei em patins, que se fartou de dar barraca e que num jogo conseguiu a proeza de perder por 63-0. Escusado será dizer que aquela equipa custou uns bons milhões à região. Mas um novo Centro de Saúde ou um hospital adequado à necessidade dos porto-santenses, isso eles não tiveram direito.
Ainda há poucos dias ficámos felizes porque demos (contribuintes) mais quatro milhões e duzentos mil euros para o CSM e CDN e logo depois mais 450 mil euros para obras num estádio onde o desgoverno já tinha lá gasto 20 milhões e 500 mil euros, não esquecendo que a remodelação do Estádio dos Barreiros andará a volta de 40 milhões de euros e que é com dinheiro do erário público.
Dinheiro para apoiar estudantes do ensino superior que se encontram no Continente e passam por dificuldades não há. Quando um encarregado de educação vai à H.F. comprar um passe social que é caro, se tiver de comprar também para um filho estudante, paga quase a mesma importância. Isto é a mamadeira nova no seu melhor.
A gestão danosa de dinheiros públicos é crime.
Um ilustre madeirense disse há tempos, em relação a gestão danosa, que nesta terra ninguém vai preso, tendo por isso sido expulso do partido da laranja podre. Mas se ninguém vai preso por gestão danosa da coisa pública é porque não vivemos num Estado de Direito e o Ministério Público não cumpre as funções que lhe estão atribuídas.