Rita José Gonçalves O homem português não quer mudar a mentalidade! A sua ‘masculinidade’ não é um dado natural, mas, uma variável construída de acordo com as diferenças, a de classe, educação, religião, orientação sexual e até da área geográfica onde se integra.

Depois, o problema é que a maioria das mulheres também não se importa em ser vista como o tal objeto sexual, acreditam mesmo que um assobio dobrado faz bem à sua auto-estima. Ora, este homem só muda se esta mulher mudar também!

Porém, verdade seja dita, que por ai já existe um novo Homem hoje. É o da idade tardia para o casamento, o da vida de solteiro com as responsabilidades domésticas, o da instabilidade económica, o da descoberta de que o “emprego” eterno foi trocado pelo “trabalho” intermitente, é o que vive a solidão na grande cidade, enfim.... Assim, este é o homem que começou a adaptar-se, é o que passou a cozinhar e a engomar, a ir ao supermercado, é o que leva os filhos à escola e ao pediatra, é o que já convive com filhos e com a família no lugar de ir perder tempo a beber com os” amigos”! É, por conseguinte, o homem que aprendeu a viver num mundo também “novo”! Aprendeu a aprender, e, isso é bom em tudo para si, tal como é bom para a sociedade como um todo. O “machão”, o complexado, o que por tudo e por nada desata aos berros assustando a mulher e os filhos, o que recorre à baixeza de dar pancadaria na companheira ou naquela que “conquistou” com um sem número de mentiras tudo só para “treinar” a sua “sexualidade”, esse, o do fantasma do amante, o que nem procura o comprimido azul mas inventa mil e uma discussões para esconder a sua “falta”, é, o de hoje ainda deste Portugal falhado dos “políticos” e o que se rasga pelo futebol! É o que, neste Portugal em cada ano mata a mulher, é, tal e qual o mesmo que existia no passado, aquele, o que aprendia que o machismo nascia em casa. É o desta sociedade machista, é o pobre e o rico, o inculto e o culto, sempre o mesmo animal! O mesmo da “ virilidade” do passado, a que se construía por meio das armas e do sexo. Esse, o da sífilis que era uma espécie de baptismo de muitos. Esse, o pai que nunca anunciava o nascimento de um filho, mas de um “macho”.

O dos filhos bastardos signo de “poder sexual”. O mesmo do poder das armas, o das exibições sobre a “força e honra”, o da violência. Ora, hoje, infelizmente, ainda, o da “cagança”, o dos copos, o que agora altera o físico, mas, aquele que jamais altera a cabeça, o que é o mesmo que dizer, o que continua a optar por ser um irracional...HAJA DEUS!