5.3 milhões de Euros, é quanto o recém-aprovado Plano de Atividades e Orçamento da Assembleia Legislativa da Madeira, reserva para o financiamento dos seus grupos parlamentares. No actual contexto de assistência financeira, com o conhecido impacto negativo na economia madeirense, questionar se o custo do sistema democrático é compatível com o tempo em que vivemos, parece uma interrogação legítima. Qual será, então, o preço a pagar pela democracia? Sejamos claros, não há democracia sem representação dos cidadãos, e essa representação não pode, na minha opinião, ser financiada pelo sector privado, ou seja, terá de ser assegurada por dinheiros públicos. Todavia, não nos podemos deter num simples sim.

Aqui, a simplificação ainda que necessária, é perigosa. É necessária, porque a democracia é, por vezes, demasiado complexa para ser entendida em todos os seus detalhes. É perigosa, porque omite o essencial. Do ponto de vista funcional, uma assembleia representativa, apenas cumpre a sua função de representação, quando os representados se revêem nos seus representantes, quando existe uma ligação efectiva entre uns e outros, quando é um espelho da sociedade que a legitima. O momento em que uma assembleia deixe de dar o exemplo que pede aos seus cidadãos, é o momento em que cessa a sua representação. O momento em que um representante se escapa aos sacrifícios que impõe aos seus representados, é o momento em que algo tem que mudar. Na verdade, como diria Jefferson, o verdadeiro preço da democracia é a eterna vigilância.

João Paulo Marques