E se você tivesse de matar todos os animais que consumisse? Acha que conseguia? Os humanos matam de tudo para comerem, são os predadores mais intensivos neste planeta, na terra, no mar e no ar. Comem praticamente tudo o que se mexe, por exemplo na China matam cães e gatos para alimentação como aqui matamos porcos, vacas, mas também comem baratas e outros insectos. Parece que, posto o dilema de comer o que quer que seja e sobreviver, versus morrer, vale tudo, inclusivamente comer a carne dos da nossa espécie. Quando se consome esporadicamente e com uma enorme presença de espírito, com respeito e compaixão, um animal como alimento, quando nisto houver um momento de reflexão ou de oração, isso não me choca. Entristece-me antes a generalizada inconsciência e banalidade que se tornou alambazar a carne. Operou-se uma troca; a carne fácil pela inconsciência colectiva. Nesse acto necrófago a maioria só deseja estar na ignorância acerca de todas as suas implicações. E nesta altura já provavelmente perdi mais de metade dos leitores. Esta reflexão ofereceu-se-me a propósito da matança do porco. A minha opinião acerca de muitos assuntos pode mudar... há no entanto algumas opiniões que por muito que me tentem convencer do contrário, não vão conseguir. São princípios de não-violência que me orientam e ao PAN. Se conseguisse passar uma lei dentro da causa animal, seria a de obrigar todos a matar os animais que desejavam consumir… depois de conviverem seis meses com eles, tenho a certeza que o consumo de carne se afundava. É uma questão de pragmatismo para diminuir as mortes e o sofrimento. Deste ponto de vista a matança do porco não parece tão chocante, desde que não seja um espectáculo público. Agora como um igual que deseja o bem comum, reflita sobre este assunto, não vá pelas opiniões dos outros, forme a sua, mas não julgue nem a acção nem a opinião dos outros. Na minha opinião tem de se escutar mais a si, à natureza, tem que observar mais e julgar menos, está aqui algo do segredo de uma mente pacífica. Quando conseguirmos olhar até para a pessoa mais irascível e por ela gerar compaixão, dela tirar o devido proveito para praticar a tolerância e a paciência, penso que estaremos no bom caminho para pacificar a nossa mente e o nosso coração. É claro que como deputado do PAN que tem de dar voz a outros, não posso permanecer nessa zona de conforto, pelo menos enquanto a nossa sociedade continuar a degradar os seus valores, a sua ligação à Terra e aos animais.

Rui Almeida