Gil de Andrade Li em tempos uma história que passo a narrar. Mas quem narra um conto sempre acrescenta um ponto, farei o possível por ser fiel na descrição. Um jovem nascido numa ancestral cidade de um belo país oriundo do reino de Castela e à beira mar plantado, foi impelido a viver com a família durante a infância numa longínqua região africana. Cerca de dez anos depois, voltaram à Vila paterna, onde passaram a residir numa propriedade familiar. Aí tiveram que fazer umas escavações para uma construção e onde foram encontradas 3 obras literárias que julgaram ser genuínas, mas que foi uma ideia rejeitada, quer pelos seus títulos, quer pelo conteúdo das mesmas. Obras que não foram valorizadas, mas guardadas na biblioteca da residência e avidamente lidas e consultadas pelo adolescente benjamim da família, que por obra do destino veio mais tarde a ser um governador desse belo país. Pensou-se efectivamente serem contos genuínos das “Mil e uma noites” ou de La Faiette, mas não. Uma das obras intitulada “O bando do Ali Bóbó e uns quantos ladrões”, e quanto me foi dado saber, narra a vida de um governador de uma antiga região que trabalhava numa caverna rodeado de uns tantos ladrões e que exploravam os pobres habitantes, lançando contínuos impostos e sonegando os seus haveres, obtidos em muitos anos de trabalho árduo. Outra das obras intitulada “O Rubi das Florestas”, era a história de um aventureiro que roubava os pobres para dar aos ricos. E a terceira obra com título de “O coelho e os cordeiros”, era uma fábula em que um coelho que um dia ao beber água num riacho, notou que muito mais abaixo um rebanho de cordeiros fazia o mesmo. - Como é que têm a coragem de sujar a água que é minha - disse o coelho arreliado, desejando tramar os cordeiros. - Senhor - disse um dos cordeiros - a água é de todos e não estamos a sujar nada. Estamos a beber calmamente mais abaixo e é tudo mentira o que está para aí a dizer. - Mas vocês agitam as águas - diz o coelho ameaçador - e sei que andam para aí a dizer mal de mim há uns anos. E se não foram vocês, foram os vossos antecessores ou os pastores que escolheram para vos orientar. - Aí está outra mentira - disseram os cordeiros em uníssono - os nossos antecessores já há muito que morreram e os pastores que nos conduzem, não são nossa escolha. Impõem-se e quando estão de poleiro enganam os seus próprios rebanhos. Então o coelho retirou-se para o fundo da floresta, para engendrar mais uma tramóia e dar cabo dos cordeiros. Moral da fábula: A razão do mais forte é sempre a que prevalece. Nota de rodapé: Honi soit qui mal pense (provérbio jurídico em Latim, paraquem, com eu, não estudou Latim e que significa” Quem disto fizer mau juízo ... é malévolo.)