O Desporto é uma ferramenta poderosa – mas quem utiliza uma ferramenta tem que lhe dar um sentido, uma intencionalidade e um objetivo, para além de compreender as potencialidades que ela tem e ter a destreza para a utilizar – ou então a obra… é lixo e perda de tempo. Como fator de Desenvolvimento Regional a ferramenta Desporto põe, portanto, exigências que têm que ser cumpridas. Repetimos – um sentido, uma intencionalidade, um objetivo e a compreensão das suas potencialidades. Deixemos o “nacional porreirismo”, as “boas intenções” e o “serem boas pessoas” para ir “beber uns copos”, o que “também é bom para o turismo” (tem mais consumidores). São necessárias respostas que utilizem as capacidades e potencialidades existentes. Dessa forma, na atual conjuntura, a título de exemplo, uma possível resposta ao problema que se vive pode passar por: 1. Manter o paciente (Desporto) ‘ligado à máquina’ enquanto se definem alternativas, pois trabalhar a sério implica planear e projetar e isto não se faz de improviso. Leva algum tempo. Teremos, assim, um plano cautelar de curto/médio prazo (um/dois anos) em que os escassos recursos existentes (públicos e privados) devem ser otimizados de forma que não se deixe “morrer o doente”. 2. A constituição de uma equipa de trabalho (não mais uma comissão de estudo…), com um caderno de encargos, um prazo para entregar respostas e parâmetros enquadradores da política regional bem definidos. Tudo claro e público. Não só para que haja responsabilidades, mas também para que possa existir colaboração/participação de todos os que queiram contribuir. Vivemos um período de roturas que permitem reformular estratégias e formas de agir para que seja possível responder de forma eficiente aos problemas e capacidades de um mundo que se transforma de forma violenta e que oferece potencialidades com que nem sonharíamos há pouco tempo. Seremos (eu, tu, ele, nós…) competentes para fazer a rotura que se exige, respeitando o passado, dando resposta ao presente, sem hipotecar o futuro?

Hélder Lopes