É um escândalo que se repete todos os anos por esta altura, mas do qual todos os madeirenses que votaram nesta maioria parlamentar são cúmplices. Não podem dizer que não sabem, que não têm culpa ou que nada podem fazer. Mentira. Ao longo dos anos foram avisados, viram os resultados e assobiaram para o lado. Por isso, como quem vota é obrigatoriamente maior de idade, são cúmplices.

Cúmplices de permitir que 5,3 milhões de euros sejam entregues aos partidos, que pouco menos do que isso seja dado ao jornal da propaganda do partido maioritário, cúmplices pelo desbarato continuado do dinheiro dos impostos que conduziu a uma dívida obscena que não tem correspondência directa em desenvolvimento, nem sequer em obras. Cúmplices de um desgoverno que obriga a que sejam aplicados cortes cegos onde deveria haver aumento da despesa.

O orçamento que deu entrada na Assembleia é mais um documento que espelha a situação desesperada a que conduziram esta terra: os que governam e os que votaram neles.

Uma Assembleia que vai gastar mais 5,3 milhões num ‘jackpot’, apenas porque a maioria não permitiu que fosse reduzido. E essa é a verdade, por muita demagogia que se procure vender, como aquela de dizer que os partidos não deveriam receber nada. Ridículo e perigoso.

Não há democracia sem partidos e os partidos precisam de financiamento. Público, porque quando passar a ser todo privado vai imperar (ainda mais) o favorecimento e a compra das leis. Mas 5,3 milhões é uma barbaridade. Metade já era muito.

Como injustificável é haver um jornal pago com os impostos dos madeirenses – dos que votaram nesta maioria e dos outros – para pagar um jornal de propaganda que faz concorrência criminosa e não respeita qualquer regra de jornalismo.

Gastos que são apresentados no mesmo documento que corta um terço das verbas da educação e vai obrigar as escolas a pedir aos alunos que tragam papel higiénico de casa.

Era para rir, se não fosse tão trágico. E vergonhoso, porque a população desta terra sabe disto tudo há décadas. Sabe e, parte dela, é cúmplice.