Xavier Luís Eutanásia, significa, em grego, boa morte. Actualmente, utiliza-se o termo para significar a prática através da qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada. Desde já refiro que sou contra a eutanásia. E que não sou pessoa de desistir.

Nestes últimos anos de grave crise económica, todos nós temos sofrido as suas consequências, seja ao nível do desemprego, aumento dos impostos, redução de salários e pensões, redução das prestações sociais, etc. Os portugueses ficaram numa situação que nunca imaginaram, sequer, que algum dia lhes viesse a acontecer. E o mais grave é que a situação, de forma mais moderada ou mais forte, chegou a todos. Por isso, é normal, em todas as conversas, as pessoas falarem da crise e das consequências que ela lhes trouxe.

Uma dessas consequências é a apatia, a falta de ânimo, a falta de vontade de lutar e até de trabalhar, pois sabemos que de tudo o que vier o Estado encarrega-se de roubar. Nota-se, cada vez mais, que as pessoas não têm fé no futuro, não acreditam nos políticos, nem no país. Há um desânimo quase colectivo, que as tem levado a desconsiderar o que de mais valioso têm – a vida. Quem ouve o povo e sente o pulsar da sociedade, repara que, além de desistirem de lutar, as pessoas querem que este pesadelo acabe, quase preferem morrer.

Se fosse viável uma eutanásia (boa morte) pelo desânimo, a grande maioria dos portugueses iria escolhê-la. Sobrariam apenas duas classes: os políticos e os banqueiros. Mas estes, quando se apercebessem que não teriam ninguém para explorar, rapidamente desanimariam e completar-se-ia o ciclo.