Em Novembro de 2012 apresentei uma alternativa de projecto e de liderança para o PSD/Madeira. Fi-lo na convicção de que o PSD/M não, podia continuar a assistir impávido à acelerada erosão da sua base social de apoio; a mostrar-se incapaz de apresentar uma política de esperança para o nosso Povo; a evidenciar no dia a dia uma liderança errática apostada num discurso que já nada dizia aos cidadãos. Aquando das eleições internas o nosso projecto alternativo recebeu quase metade dos votos expressos dos militantes. Mas nem assim se percebeu – ou tentou perceber – os sintomas de mudança necessária e urgente. Antes pelo contrário. O status-quo entrincheirou-se no seu próprio labirinto. Não se abriu à sociedade. E ao invés de unir e cativar os cidadãos em torno de um projecto de futuro, limitou-se a afastar pessoas válidas que, supostamente, não se enquadravam no conformismo postiço vigente. Os péssimos resultados nas últimas eleições autárquicas de 29 de Setembro são a consequência dos erros, inacção e ausência de capacidade estratégica da actual liderança. Pode ser cómodo, em “artigos” de circunstância no JM, denegar responsabilidades e culpar os habituais “bodes expiatórios” – ingleses, DN,Lisboa, inimigos internos, traidores, candidatos autárquicos, maçonaria, esquimós e extraterrestres… Mas a verdade é que há um tempo histórico que se esgotou. E que é imperativo o PSD/M mudar democraticamente de liderança e de políticas, reconciliar-se com a nossa sociedade, apresentar aos cidadãos um projecto de governo moderno e reformista e fazer da humildade democrática e não da arrogância o alicerce das suas acções políticas e cívicas para o futuro. Adiar a inadiável mudança é, de facto, uma benesse para os nossos adversários políticos, facultando-lhes o tempo para consolidarem os seus ganhos eleitorais. E, por outro lado expondo o PSD/M, pela ausência de novas causas e acções, a uma crescente fragilidade política, que poderá ser fatal para o futuro. O perigo não é o PSD/M mudar. O que pode ser fatal é o PSD/M não querer olhar para a realidade como ponto de partida para a acção política.
Miguel Albuquerque