Nuno Vieira É realmente uma altura politicamente interessante a que se vive neste momento na RAM. O 7-4 autárquico quase pôs em KO o agonizante partido até há pouco tempo maioritário. Novos protagonistas políticos surgiram, vindos das diversas camadas da sociedade civil e/ou de partidos com representação mínima mas de considerável impacte público. Outros surgiram com patrocínio partidário. Alguns, com não mais do que sede de poder, viraram a situação, julgo eu, ao seu favor, e aliaram-se a outras forças partidárias. Restam aqueles que representam uma fatia significativa da população que escolheu a continuidade e não a novidade, em matéria de gerir a coisa municipal. Todos estes actores políticos, independentemente de onde vieram e para onde vão, merecem a confiança vigilante dos eleitores. Autárquicas encerradas. Passemos ao próximo evento político relevante. Diria eu que as eleições para o Parlamento Europeu são tão ou mais importantes que qualquer eleição ao nível Local, Regional ou Nacional mas como a malta, infelizmente, não está para aí virada, passemos às eleições regionais que vão eleger os ocupantes de hemiciclo da Assembleia Legislativa Regional, desgraçadamente transformada num circo de freaks, e do próximo Governo Regional, que não passará de um Governo de Gestão que julgo eu, encerrado o presente pesadelo (in)Governavelmente esquizofrénico, trará outros ares melhor respiráveis e quiçá mais facilmente negociará com o Governo Português. Se calhar até estou a acelerar um pouco no tempo, não? Se calhar até estou porque antes desse evento, há ainda as eleições internas de um, num momento rapidamente a passar, poderoso partido maioritário mas totalmente, passo a expressão, esfrangalhado. Aqui é que a coisa ainda fica mais interessante. Vão-se já conhecendo os Assumidos internamente, os que se assumem se o Pai deixar, os que queriam mas já vêm tarde e os não querem mas vão-se já encostando aos Assumidos. Vejo com interesse, no meu total desprendimento partidário, os anúncios e posicionamentos destes candidatos às eleições internas do PSD-M. Num primeiro plano, vejo Miguel Albuquerque, o que eu acho o mais Presidenciável até ao momento, como o candidato de rutura total e com melhores relações ao nível da República. Boa surpresa em segundo plano, Sérgio Marques, o Europeísta madeirense mais bem ‘conectado’ com a máquina da União Europeia. Ambos em níveis diferentes têm currículo. O maior partido da Oposição tem até agora andado a abanar a bandeira de vitória autárquica e somente a perder tempo, não na procura de um candidato de consenso alargado no seio das Oposições, como já demostrado uma escolha eficiente, mas no anuncio do seu Líder em avançar. Normal em Democracia mas eleitoralmente será um fiasco. Ainda faltam um par de anos para este evento mas, como as vezes as coisas mudam mais rapidamente do que se pensa, o Executivo Regional será PSD, espectavelmente renovado mas num plano de ação talvez minoritário ou coligado, o 7-4 continuará até porque veio a calhar bem, e ao nível da República, o mais provável será Seguro a formar Governo. Ou seja, as coisas vão continuar tremidas para os lados da Pérola. Santa paciência.