D.ª Guiomar de Vilhena adquiriu a “Quinta das Angústias”, onde morreu em 1789. Fez da quinta uma referência do poder. Ela que criou o seu império, perdurável por vários anos, apesar do fausto e do ambiente de fortuna, depois de ter merecido respeito e admiração, tendo transformado a “Quinta das Angústias” num dos lugares simbólicos do esplendor da história destas ilhas, após ter conhecido tempos áureos, apesar de toda a ostentação, soçobrou. Seguiram-se os dias da decadência. O império da “Quinta das Angústias” desmoronou-se.
O actual herdeiro da “Quinta das Angústias” assiste ao seu período de decadência. Conheceu tempos de maior esplendor. Fez daquela quinta o lugar do poder absoluto, um dos símbolos do regime jardinista, da ilusão da riqueza, da ideia de uma sociedade perdulária na ostentação, da pouca cautela com o futuro.
Quando as populações destas ilhas empobrecem e emigram, gradualmente, desmorona-se o regime. E embora aquela quinta ainda aparente ambientes de requinte e fausto, de fora para dentro da “Quinta das Angústias”, inexoravelmente, cairá. Será derrubado o (actual) herdeiro, naquela que ainda há quem chame “Quinta Vigia”, mesmo que, cada vez mais, lhe seja mais apropriado referenciar como “das angústias”.
É tempo de projectar a viragem, a tempo de se garantir que não teremos o Jardinismo sem Jardim. A “Quinta Vigia” só será desmoronada se a ruptura na natureza das políticas emergir como alternativa.
Edgar Silva