Foi divulgado nos últimos dias um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a crise do emprego em Portugal.

O relatório traça um quadro negro do mercado de trabalho português e verifica que, desde 2008, Portugal perdeu um em cada sete empregos. Denota que recorrer ao trabalho temporário, precário e aos falsos recibos verdes tornou-se moda. Salienta que os desempregados de longa duração têm grandes dificuldades a voltar a entrar no mercado de trabalho e que os “jovens mais talentosos e qualificados têm vindo a ser empurrados para a emigração”. O relatório realça ainda que com a chegada da troika a situação agravou-se.

Até aqui nada de novo! No entanto, o relatório também apresenta algumas medidas para atenuar a situação actual e, para surpresa de alguns (ou talvez não), são exactamente opostas ao que está a ser executado. Com efeito, as propostas apresentadas passam por reduzir as taxas de juro, subir o salário mínimo, aumentar o rendimento social de inserção e reforçar as políticas de promoção do emprego.

As razões subjacentes às medidas apresentadas são fáceis de perceber: com taxas de juros altas, as empresas não conseguem aceder ao crédito; o aumento do salário mínimo permitiria amenizar as desigualdades de rendimentos; o aumento do rendimento social de inserção combateria a pobreza e a exclusão social e, por último, as políticas de promoção do emprego, segundo as contas da OIT, poderiam criar 100 mil empregos até 2015.

O diagnóstico está traçado, as medidas de correcção foram apresentas e já tarda em que os portugueses vejam os resultados dos sacrifícios que lhes foram impostos. No entanto, sob a capa do “acordo com a troika”, o calvário deverá continuar e não se afigura para breve a inversão de marcha tão necessária para a prosperidade do mercado de trabalho.

Pedro Nunes