As vitórias eleitorais trazem sempre responsabilidades. Na actual situação de crise económica e de sérias restrições financeiras maiores responsabilidades advêm. Na situação de crise prolongada madeirense ainda mais. A primeira responsabilidade daqueles que, na Madeira, fizeram história ganhando municípios e freguesias, trazendo-os para o campo democrático das forças progressistas é não defraudar. Tal significa gerir com eficiência e sentido de justiça. Fazer melhor e de forma mais equilibrada, em contraponto com um poder absoluto que nada respeitava. Cumprir promessas eleitorais é a segunda responsabilidade dos vencedores. Nenhum argumento é aceitável para incumprir. Não é possível esta ou aquela solução integral? Aplique-se por etapas. Não há dinheiro? Use-se a imaginação e corte-se em algum lado. Mas faça-se o que se prometeu. Contraponha-se ao poder laranja autárcico uma governação aberta, plural, decente, transparente. Ouça-se as pessoas e as instituições. Avance-se com os orçamentos participativos. A sério. Enorme responsabilidade. E comece-se já a pensar nas eleições regionais de 2014 ou 2015. Os partidos, a começar pelo PS, têm uma responsabilidade inalienável. As suas direcções que tiveram apurada visão estratégica na Coligação Mudança, no Funchal, têm de se interrogar sobre o que fazer nas Regionais. Têm a obrigação de equacionar os factores que tiveram acolhimento forte junto do eleitorado nestas Autárquicas. E, com coragem, oferecer ao eleitorado madeirense as alternativas que confirmem, para a governação regional, a vontade de Mudança que perpassa por toda a Região. Até onde estará disposta a ir esta sociedade que surpreendeu colocando na chefia da Câmara o “desconhecido” Cafôfo? E até onde estarão dispostos a ir estes partidos que prescindiram de lugares e protagonismos e abriram a cena a independentes? Ou o que foi verdade para as autárquicas já não é verdade para as regionais?
Maximiano Martins