Carina Barreto Actualmente o problema social mais preocupante é a crise económica. Infelizmente neste país há mais problemas e situações vergonhosas que só quem vê acredita. Uma delas é a Justiça, ou a ausência dela, a outra é a falta, não só de responsabilidade, mas de humanidade por parte de uma empresa de Seguros. Gostaria de demonstrar um caso na “Justiça” que ocorre na ilha da Madeira. E é Justiça entre aspas porque justiça nem vê-la, pelo contrário. O meu pai teve um acidente de trabalho há 22 anos. Infelizmente perdeu não só a sua capacidade de trabalhar mas de andar e de ter uma vida independente. Tinha o seguro do trabalho pago e em dia. Acontece que a Seguradora que, ao contrário do nome, de fiel não tem nada, tenta se escapar como pode aos direitos do cliente. A custo (tirando quase um ano sem nada) veio uma pensãozinha mas “para calar”, não coincidindo com os seus reais direitos, e os direitos da família que, especialmente os da esposa que o trata, foram ignorados. O caso está em tribunal para resolver há 2 décadas! Não houve advogado, juiz ou alguém no Tribunal que resolvesse a situação. Até houve um senhor, nomeado pela Ordem, que teve dez anos como nosso oficial advogado para resolver o caso, com o processo arquivado! Não só não resolveu, como empatou e enganou o cliente uma década! Que andou o senhor a fazer afinal? E porquê?! Houve sim uma espécie de acordo na Justiça (mesmo sem tendo nós advogado de defesa e com uma Procuradora, juiz nem ver) numa audiência, continua tudo como se nada fosse. Resumindo a Seguradora não lhe apetece pagar! Nada lhe acontece? Porque quando o cidadão normal deixa de pagar as contas vem os juros no mês seguinte! Aparentemente quem pode pagar os deveres é que estão imunes à lei. Nos últimos dois anos, com novo advogado, o que acontece é que o Ministério Público envia as cartinhas, que está tudo bem. Pessoalmente, não duvido que o M.P. não está interessado nestas coisas. Aliás só basta entrar na dita Instituição para perceber que não somos bem-vindos. E com isto tudo vai passando o tempo… Gostava de apelar ao Tribunal de Trabalho que se organize e resolva os casos simples. Está tudo na lei e no processo para quem quiser ver! Também era bom que as pessoas com profissões que determinam a qualidade de vida das pessoas que, se não têm respeito pelos direitos dos cidadãos, ao menos tenham respeito pela profissão e cumpram os seus deveres.