Alvalade tem sido nos últimos anos uma casa onde o Marítimo tem apresentado bons resultados, com duas vitórias e um empate nas últimas três deslocações a contar para o campeonato. Curiosamente, nas últimas duas épocas, a vitória alcançada na casa dos leões de Lisboa, marcou uma sequência muito positiva para os leões da Madeira. Nesse sentido, e somando apenas sete pontos da liga em oito encontros, e ultrapassada uma semana de decisões ao nível da equipa técnica, era com alguma expectativa que aguardava este encontro.É verdade que desta vez não conseguimos os três pontos, mas podemos ter ganho uma equipa. Conforme prometido, o Marítimo entrou em jogo com várias alterações no seu onze, as mais significativas na saída de Briguel para a entrada de João Diogo, e na aposta num novo trio no meio campo, composto por Alex Soares, João Luíz e TheoWeeks. E a realidade foi que se viu um Marítimo totalmente transfigurado daquilo que tem sido a ‘miséria’ nos últimos jogos, o que é ainda mais significativo se atendermos que estamos perante o melhor Sporting dos últimos anos. Esta melhoria está bem exemplificada nos números estatísticos da partida (com um equilíbrio generalizado nos registos), e na forma como a equipa se predispôs em campo, conseguindo pressionar o primeiro reduto da equipa leonina, mesmo a jogar com dez jogadores nos últimos 20 minutos da partida.Arrisco a dizer que, com esta capacidade demonstrada, com a vontade posta em campo pelos jogadores, o Marítimo atualmente poderia estar bem mais acima na tabela. Naturalmente não está tudo resolvido. A equipa continua desequilibrada e com enormes fragilidades, sobretudo defensivas. Se é verdade que temos um dos melhores ataques dos últimos anos (13 golos) – o 5º melhor da liga –, por outro lado temos a pior defesa com 19 golos sofridos. A agravar esta estatística somos a equipa com mais derrotas na liga (6) a par do Paços de Ferreira e a equipa com mais cartões vermelhos exibidos (3), o que tem sido um factor bastante visível nos últimos jogos, onde acumulamos a quinta derrota consecutiva. Aliás, para encontrar registo negro idêntico é necessário recuar à época 2008/2009, onde o Marítimo perdeu os últimos cinco jogos da época. Pelo que, tudo somado, não há como escapar à justeza do 15º lugar da Liga, à nona jornada. Apesar do Marítimo necessitar urgentemente de uma vitória, era evidente que este jogo, perante este Sporting, e atendendo ao elevado grau de dificuldade, um resultado positivo seria sempre um bónus. Falta ainda muito campeonato, 21 jogos por disputar e 63 pontos na conquista. E este Marítimo não está morto. Basta reproduzir a exibição ostentada em Alvalade, para que esta equipa consiga alcançar os resultados que procura noutros campos. É verdade que perdemos dois grandes jogadores para a presente temporada: Rafael Miranda e Roberge, e a equipa tem sentido imenso a sua falta. Mas há alguma matéria a aproveitar. Weeks mostrou pormenores muito interessantes e poderá ser mesmo solução para o meio campo fragilizado do Marítimo. Porém, em Janeiro há que ponderar seriamente no reforço daquela zona. O próximo jogo para a Liga, frente ao surpreendente Gil Vicente, terá que necessariamente marcar uma viragem nesta sequência negativa de resultados. Uma vitória é indispensável para as nossas cores. Pelo meio, temos o jogo para a Taça, em casa, frente à Oliveirense de Famalicão. Estes jogos deverão marcar a subida de rendimento do Marítimo. Não se pode perspectivar outra coisa.
Luís Miguel Rosa