Duarte Vieira Sou enfermeiro com 8 anos de experiência e sinceramente a destruição que está a acontecer na carreira é exclusivamente da responsabilidade dos enfermeiros formados nos anos 80, porque foram estes que nunca se preocuparam em negociar a carreira, porque sempre estiveram preocupados com o horário acrescido, com os turnos extra e com as progressões automáticas. Há cerca de 15 anos quando começaram a aparecer os primeiros enfermeiros contratados ninguém se preocupou com estes, quando foram os primeiros a concluir a licenciatura e exigiram salários de licenciados. Os ditos enfermeiros dos anos 80 que estavam no topo da carreira fora da prática clinica, a ocupar postos de chefia, investigação, etc., pensaram que eram intocáveis e acomodaram se ou pelo contrário, seguiram/apoiaram as indicações dos conselhos de administração. Contudo o feitiço virou se contra o feiticeiro, os tais intocáveis foram atingidos pelos sucessivos cortes, perdendo mais de 50% dos seus vencimentos, e a gota de água foi afirmarem que não é seguro para a profissão fazer as 40 horas, quando durante anos fizeram horário acrescido de 42h, a única diferença era um volumoso acrescendo no salário. Curiosamente os contratados já fazem 40 horas há mais de 15 anos com uma mísera compensação financeira e obviamente sem o subsistema de saúde ADSE. Agora sugiro que a geração dos anos 80 “aguente o barco” e que os contratados tomem coragem e emigrem como eu fiz, porque o sonho de ser enfermeiro com respeito, dignidade e com a remuneração adequada à sua responsabilidade ainda é possível, mas não em Portugal.