Francisco Leite Monteiro Por incrível que pareça, a imprensa nacional deu relevo a uma iniciativa da Fundação Saramago que levou a cabo um debate que teve lugar em 31 de Outubro e em que foi, ignobilmente, hostilizado o Reino Unido, o mais antigo aliado de Portugal, subordinado ao tema “A descolonização pendente”, visando questionar a soberania dos ingleses sobre Gibraltar e sobre as Ilhas Falkland ou, como lhe chamam os argentinos, as Malvinas. Como parece, a hostilidade que em relação aos ingleses, foi ensaiada na Madeira, estará agora a encontrar apoios no continente, porventura encapotados por certos interesses, que só o tempo clarificará. Para além de poder questionar-se a oportunidade de uma tal iniciativa, a circunstância de a mesma se ter desenrolado num espaço que é de todos nós – a Casa dos Bicos, edifício quinhentista classificado de monumento nacional, propriedade do estado português, cedido à fundação para instalação da sua sede, após vultosos gastos para a sua adaptação a tal fim, obviamente, suportados pelo erário público – ainda que a realização do debate possa ter sido autorizado por quem deveria ter capacidade para tanto, importa que a opinião pública seja devidamente esclarecida. Independentemente desse esclarecimento, importa igualmente acautelar uma questão que bem recentemente foi aventada por certos sectores espanhóis, questionando os direitos de Portugal em relação às Ilhas Selvagens, parte integrante da Região Autónoma da Madeira, território nacional desde sempre, não vá a Fundação Saramago lembrar-se de promover um debate para exigir a entrega à Espanha, das Ilhas Selvagens – uma iniciativa que prenunciaria uma outra – a integração de Portugal no Reino de Espanha, ideia que é de conhecimento público e foi publicada na imprensa nacional, tal como foi defendida por José Saramago e por sua mulher, a jornalista espanhola Pilar del Rio, hoje sua viúva que está à frente da Fundação Saramago.