A Madeira está a experimentar um cenário político nunca antes visto, não só ao nível do Governo e do partido que o suporta, como também ao nível da Oposição. Os últimos dias têm sido pródigos em factos relevantes, que deixam marcas. É Sérgio Marques a avançar para a corrida interna no PSD com a maior naturalidade – até o presidente do PSD se referiu a essa candidatura em termos educados! –, é Miguel Albuquerque a alertar que o partido precisa de uma intervenção para não continuar a definhar. Ainda na área social-democrata, vimos também Sérgio Marques a falar da necessidade de um novo ciclo e da redução do ‘jackpot’ partidário, vimo-lo a esboçar receios por uma campanha que pode não ser limpa e leal; noutras alturas, as mesmas referências foram catalogadas da forma que qualquer leitor ainda se lembra. Pela banda da Oposição, vimos o presidente do PS-Madeira dar um passo em frente, assumindo com toda a legitimidade a aspiração pessoal de continuar a liderar o partido e, por essa via, ser candidato à presidência do Governo Regional. Também lemos o presidente do maior partido da Oposição madeirense – o CDS-PP – a traçar um rumo com algumas reservas e apelos à responsabilidade, tudo centrado no que deveria ser o interesse da Região Autónoma. Na Oposição, na discussão que agora se abre sobre como e com quem preparar o futuro da Madeira, faz todo o sentido que quem desbravou o caminho até aqui tenha o protagonismo que considere mais adequado. O problema é que as ambições pessoais, legítimas e fundamentadas em trabalho feito, podem não ser compatíveis com os interesses da Região ou de um projecto mais abrangente. Nessa perspectiva, condicionar qualquer conversação não é, seguramente, a melhor forma de dar qualquer passo em frente.