O PSD Madeira fervilha. Finalmente aqueles que antes “assinavam de cruz” as posições e comunicados do actual PSD, apressam-se a falar em novo ciclo, em ideias novas, em mudar! Mais vale tarde que nunca!. Quem teimar no seu Manchukuo convencido que é imperador da China, vai acabar sozinho como inexoravelmente a história ensina.

A verdade é que se generaliza o consenso de que é preciso mudar e isso é o primeiro tributo que se faz ao resultado das eleições de 29 de Setembro e a quem bem cedo se apercebeu dessa necessidade. São bem-vindos os que vierem por bem e como dizem as sagradas escrituras “há mais alegria no céu por um convertido do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”.

Mas neste desafio, temos de ser consequentes. Não há mudança sem projecto consistente. Não há alteração que se aguente quando é apenas cosmética. Não há doença que se cure com placebos. A ilusão sai cara e os tempos que correm exigem cada vez mais autenticidade.

Para a oposição credível, o desafio é importantíssimo e se não quiserem brincar aos partidos, devem perceber que há mais-valias na abertura, na congregação à volta de uma ideia e de uma equipa, do que teimar nas afirmações individualizantes.

Para os diversos candidatos a líder do PSD/ Madeira, há questões que devem ser respondidas com a sinceridade que o próximo eleitorado e os madeirenses de forma geral, merecem. Não me refiro à absoluta necessidade de haver um programa de Governo, adequado aos novos tempos, nas circunstâncias em que vive a Madeira. Refiro-me basicamente a questões éticas sobre as quais muito do resultado das autárquicas também falou.

Elenquei três questões: I- Depois do Congresso do PSD, defendem que deve haver eleições regionais antecipadas, ou acham que a legitimidade do partido liderado pelo Dr. Alberto João Jardim, é a mesma que deve sustentar um novo Governo liderado por si até às eleições no prazo normal? Acham que é ético manter a mesma representação parlamentar e o mesmo programa de governo que marcou a gestão até essa data do PSD?

II- Que fazer das regras de incompatibilidades e impedimentos? Acham que deve haver separação dos interesses económicos dos políticos no exercício dos cargos públicos ou continuam a defender o actual sistema em que deputados aprovam leis de manhã e à tarde, como dirigentes empresariais, concorrem a concursos públicos? Acham possível manter a possibilidade de quem na política contratou com empresas, de imediato, quando sai da do cargo público, vá para a administração dessas mesmas empresas?

III- O que fazer do Jornal da Madeira? Não falo da questão da empresa em si porque julgo que essa é uma questão que se coloca num segundo nível. O que acho importante responder é saber se o candidato defende que deve continuar a ser o Governo Regional (ou seja o dinheiro dos contribuintes) a manter o actual esquema de “contraditório” jornalístico em que a Madeira está mergulhada.

As perguntas são directas e julgo que importantes. Tratam do regime. Devem ter respostas claras. Esperemos por elas.

Ricardo Vieira