O resultado das eleições autárquicas representou o inicio de uma viragem política na Madeira. O PSD perdeu 7 das 11 Câmaras, 22 das 54 freguesias e uma parte considerável da sua base de apoio (25 mil votos) em relação às eleições autárquicas de 2009.

Mais do que isso: quebrou-se o mito de invencibilidade do PSD. A “maioria” vale hoje, apenas, 35% do eleitorado, menos 13% que nas eleições regionais de há dois anos. Do lado das oposições, em particular do CDS, PS e movimentos independentes, há um claro reforço do seu peso eleitoral. Em suma, dois terços do eleitorado quiseram Mudança e Alternativa.

É neste quadro que devemos reflectir e perspectivar as eleições regionais, sejam antecipadas ou no tempo normal, em 2015.

Do lado do PSD, já se percebeu que a sua liderança e os seus principais dirigentes teimam em não perceber os resultados eleitorais, nem daí retirarão qualquer ilação para corrigir posturas e políticas O partido está a implodir e esta ou outra qualquer liderança não serão capazes de o regenerar.

Cabe às oposições terem a humildade e a responsabilidade de saber interpretar a vontade dos eleitores e daí retirar as consequências para as eleições regionais. Dois terços dos madeirenses reclamam uma alternativa credível e segura que, apesar de assente em partidos, possa aglutinar à sua volta personalidades independentes e movimentos cívicos num Projecto de Mudança e Esperança para a Madeira. Um projecto político vencedor, mas também um Projecto inovador com outras políticas económicas e sociais que conduzam ao resgate da Autonomia e da Democracia e, sobretudo, que permitam lançar as bases de uma nova era de prosperidade e desenvolvimento na Região. É para este desafio que o povo nos convocou a 29 de Setembro. Que todos saibamos estar à altura da tarefa que nos foi cometida.

José Manuel Rodrigues