Mário Trindade Era uma vez um homem que passeava através duma rua movimentada do Bangladesh. (o Bangladesh é um país recentemente independente situado entre o Paquistão e a Índia). A certa altura chamou-lhe a atenção um engraxador de rua (como havia aqui antigamente). E teve o desejo de engraxar os seus sapatos, sentando-se logo no banco dos fregueses. Não resistiu e entabulou a seguinte conversa: “Há muito que anda nisto, não é? Quanto ganha ao fim do dia?” e a resposta seguiu-se “Metade do que recebo dos clientes vai para aquele que me aluga as escovas. A outra metade fica para o sustento da família”. O homem ficou chocado perante a situação e depois de pensar um pouco, decidiu fazer a seguinte proposta ao engraxador : “Vou dar-lhe uma escova nova. Depois, quando começar a ganhar, vai a pouco e pouco saldar a sua dívida”.
Foi assim que achei a melhor maneira de apresentar Muhammad YUNIS, autor do livromos. “x banker to the poor” (O banqueiro dos pobres).
Depois criou o “Grameencredit”. Este economista foi distinguido com o Nobel da Paz em 2006. Juntamente com o Banco “Grameen”. Com o Banco “Grameen” , Yunus podia até trazer o Nobel da Economia, pelo seu trabalho “Desenvolvimento económico e social das bases” que deu origem aos Microcréditos!
As características gerais do microcrédito (no conceito de Yunus) fui buscá-las ao Google na dificuldade de encontrar a tradução portuguesa “The banker to the poor” (Banqueiro dos Pobres). O “Grameencredit” tem as seguintes características:
a) Promove o crédito como um dos direitos humanos.
b) Sua missão principal é auxiliar as famílias pobres a se ajudarem a superar a pobreza. É dirigida aos mais pobres especialmente às mulheres pobres.
c) Uma das características que mais destaca o “Grameencredit” é que não é baseado em qualquer garantia real nem em contratos que tenham valor jurídico. É baseado exclusivamente na confiança e não no Direito ou em algum outro sistema coersivo.
d) É oferecido no intuito de gerar autoempregos fomentando atividades que criem rendas para os pobres ou ainda para a construção da sua habitação, ao contrário dos empréstimos destinados ao consumo.
e) Foi criado para enfrentar os bancos tradicionais que rejeitam os pobres, para eles considerados “indignos de crédito”. Em consequência disto, o “Grameencredit” rejeita a metodologia bancária tradicional e criou a sua própria metodologia.
f) Oferece os seus serviços na porta da casa dos pobres adotando o princípio que as pessoas não devem ir ao banco mas sim o banco às pessoas.
g) Para obter um empréstimo um fiador tem que se reunir a um grupo de tomadores que ficam moralmente responsáveis pelo seu pagamento.
h) Os empréstimos podem ser obtidos numa sequência sem fim. Novos empréstimos tornam-se disponíveis se os anteriores tiverem sendo pagos.
i) Todos os empréstimos devem ser pagos em pequenas prestações semanais ou bissemanais.
j) Mais de um empréstimo deve ser concedido simultaneamente ao mesmo fiador.
k) Os empréstimos são sempre vinculados a planos de poupança para os tomadores obrigatórios e voluntários.
Dados estes primeiros esclarecimentos sobre o ”Grameencredit” e o seu autor, Mohammed Yunus, só lamento que ele não exista cá. Podia eventualmente gerar muitos milionários!