O ex-secretário de Estado da Educação no governo de Sócrates foi convidado para dar formação no Funchal aos docentes que vão avaliar outros docentes. Alertado para vinda do especialista, o DIÁRIO descobriu a sua recente participação política e fez disso notícia. Sem drama, apenas uma importante constatação. Mas algum funcionário da Secretaria da Educação, aparentemente ofendido pela verdade, veio esclarecer que o professor estava no Funchal na qualidade de especialista e não de ex-governante. Como se o facto de ter sido secretário de Estado num governo socialista fosse o mesmo que ter sido recluso ou suspeito de estar envolvido em algum caso escabroso. Quem produz um esclarecimento destes revela um espírito tacanho. Provinciano mesmo. O Orçamento Regional apresenta um significativo corte nos salários da Função Pública. O DIÁRIO fez as contas e fez disso notícia. Sem drama, apenas uma importante constatação. Mas algum funcionário da Secretaria do Plano e Finanças, aparentemente ofendido pela verdade, veio esclarecer que esse corte resulta das implicações de Lisboa. Não nega o corte, não desmente coisa nenhuma, mas tenta esclarecer o que está esclarecido. Mais uma vez, uma atitude desnecessária, tosca. O presidente do Governo Regional voltou ao seu passeio mensal por essa Europa fora. Diz que esteve em Bruxelas, com aquelas agendas tão importantes de que apenas dá conhecimento depois de o DIÁRIO ter dado pela falta de quem faz cada vez menos falta na cena política regional. Andam os madeirenses com o credo na boca para chegar ao fim do mês, os desempregados e os jovens qualificados a sair da Região, andam famílias desesperadas e o nosso presidente reformado põe-se fora desta 'casa de loucos' em que transformou a ilha. Numa coisa tem Jardim razão: só um povo 'pata rapada' permite um governo liderado ao estilo do velho caixeiro-viajante. O presidente do Serviço Regional de Protecção Civil voltou a fazer-se notar pela ausência num dia de grande temporal numa parte da Madeira. Não é a primeira vez, é pelo menos a terceira. Talvez seja azar com o calendário, mas a verdade é que dá muito nas vistas tanta 'falta' ao serviço justamente quando o serviço mais precisa. Esta ausência acontece, por acaso, ao mesmo tempo que a do presidente do Governo. Jardim foi a Bruxelas tratar não se sabe do quê, Neri foi a Canárias para ter formação. Duas ausências, com uma nota em comum: nestes casos, tanto o Governo como a Protecção Civil funcionam bem sem os respectivos presidentes. Quer um, quer outro, podem ir à sua vida, passar à reserva ou à reforma. Passem bem.