Depois de uma parte muito grande dos madeirenses e porto-santenses terem colorido o mapa autárquico da Madeira começaram as tomadas de posse dos órgãos eleitos e o varrer dos armários dos órgãos cessantes. Tudo seria normal não fora a circunstância de num autêntico ataque de cleptomania muitos deles terem levado a coisa tão a sério que “limparam” tudo o que poderam.
Antes de entregarem as chaves esvaziaram os cofres, limparam até as moedas das máquinas de pagamento dos parques de estacionamento - nem as coitadas das moedinhas escaparam - pagaram aos amigos, venderam viaturas institucionais com as quais alguns, dizem, continuam a andar, outros até levaram as mobílias, fizeram brutas jantaradas de despedida e deixaram milhões em faturas para os recém-eleitos pagar. Esta é a trupe que geriu a coisa pública nas últimas décadas!
Caso para perguntar: se isto foi assim na hora da saída, o que não terá sido enquanto “reinaram”? Num estado de direito com uma justiça operante, para não dizer decente, esta gente deveria estar agora a ser confrontada com as imparidades existentes entre o que consta das suas declarações de rendimentos e os sinais exteriores de riqueza que ostentam.
Mas não tenhamos ilusões e atenção que não caio na tentação de dizer que são todos iguais, ladrões, aldrabões, “jogadores” e interesseiros existem em qualquer lado, não só na política mas também na própria máquina do estado: nos órgãos de soberania, nas administrações nacionais, regionais e periféricas. Há aí gentinha que não tinha onde cair morta, que subiu na hierarquia da administração sem saber ler nem escrever, por vezes a troco de “outros” favores, que agem como se fossem donos das instituições para as quais trabalham, que espezinham os outros como se a sua hora também não estivesse marcada. O povo é quem mais ordena e é também quem mais paga. Dá que pensar!
Jaime Leandro