
Sérgio Marques apresentou a candidatura à liderança do PSD-M no facebook, aproveitando o peso desta rede social e dando um sinal de modernidade. Candidata-se a um lugar para o qual já foi apontado várias vezes, tal como outros destacados militantes social-democratas. E candidata-se com toda a legitimidade, sobretudo a que decorre do seu percurso político. Por isso mesmo não surpreendeu ninguém.
Até agora, há três candidatos ao lugar que ainda é ocupado por Alberto João Jardim: Miguel Albuquerque, Manuel António Correia e Sérgio Marques. É natural que surjam mais concorrentes, mais dois ou três.
Independentemente do que venha a acontecer no final do próximo ano, ou antes se o bom senso conseguir a primeira vitória no meio da irracionalidade recente do partido ‘laranja’, será uma ‘corrida’ entre elementos com provas dadas e que, simultaneamente ou em fases distintas, receberam o título de ‘delfins’.
Também sem surpresa, parece evidente que Albuquerque parte à frente, sobretudo porque já disputou uma corrida em Novembro e só perdeu em cima da meta e com recurso a ‘photo-finish’. Foi o maior susto político de Jardim, abalou o partido e deixou o agora ex-presidente da Câmara do Funchal com um capital de confiança junto dos militantes que constitui uma vantagem importante. Mas não decisiva, como o próprio deve saber.
Sérgio Marques sabe disso e deve apostar no apoio dos moderados, que são muitos e também daqueles que em Novembro não tiveram a coragem suficiente para votar contra o líder histórico e, agora, procuram uma forma de limpar consciências e escolher uma alternativa a Albuquerque que não seja a imposta por Jardim. Manuel António Correia chegou a ser candidato nas ‘directas’ anteriores, mas retirou-se da corrida, respeitando a sua convicção de jardinista. Retirou-se porque Jardim avançou. Não queria substituir Jardim mas suceder-lhe, um posicionamento que já foi garantia de sucesso no partido, mas que os resultados eleitorais recentes mostram que não será muito acertado. Estar com Jardim é, neste momento, garantia de perda de votos. Em qualquer eleição, das autárquicas às associações de estudantes.
Agora, o secretário do Ambiente diz que avança contra qualquer um que se apresente a eleições. Qualquer um quer dizer isso mesmo: até contra o actual líder. Porque essa continua a ser, infelizmente para o PSD-M, a grande dúvida, a pergunta de um milhão euros: Jardim vai cumprir a promessa e afastar-se? A histórica diz, claramente, que as suas promessas não passam disso e raramente se concretizam. A acreditar na estatística, a aposta deve ser no ‘não vai’.
Embora no partido a maioria dos militantes procure convencer-se de que desta vez é de vez, no fundo, todos sabem que quando chegar a hora – ou antes disso – o chefe pode dar o dito por não dito e tentar baralhar as contas. Ou nem perder tempo com isso e avançar sem respeitar ninguém.
Como sempre tem acontecido e com provas mais do que evidentes, entre as hostes ‘laranja’ escasseia a coragem para enfrentar o líder. Mesmo que todos saibam e os números o comprovem que com ele o caminho é sempre a descer. Por isso, uma corrida que por agora tem três atletas e poderá ter cinco ou seis, arrisca-se a ficar reduzida a uma desforra do embate anterior. É esperar para ver.