Conceição Pereira A CMF deliberou aplicar a derrama a empresas do Funchal, que se trata de uma pequeníssima percentagem sobre os lucros das empresas, apenas para as que apresentem lucros acima 150 mil euros. Tendo em conta a crise que atravessamos, pensava eu que poucas empresas seriam atingidas por esta medida. Qual não é o meu espanto, pois logo apareceram empresários muito preocupados com mais esta obrigação financeira. Um até falou que casos haveria de despedimento de funcionários, porque as empresas não aguentam com mais esta despesa. Depois veio a ACIF e a Assicom, todos a reclamarem contra a CMF que quer aplicar a derrama. (Nem falo no pasquim oficiasl...) Tanto alarmismo porquê? As empresas que estão em dificuldade ou têm lucros inferiores a 150 mil euros não serão atingidas pela derrama! E as empresas que apresentem lucros superiores a 150 mil euros não podem contribuir com uma pequeníssima percentagem para ajudar o programa social da CMF? Na situação que estamos a viver de desemprego, pobreza, cortes do governo nas pensões de reforma, nos apoios sociais, educação, saúde; quando muitos reformados além de apoiarem filhos e netos que estão na penúria ainda veem parte das suas reformas penhoradas por serem fiadores de dívidas de familiares que não as podem pagar; e empresários com mais de 150 mil euros de lucros, livres de quaisquer encargos ainda reclamam se tiverem de pagar uma ninharia para a área social da Câmara! E são os mesmos senhores que afirmam que Portugal deve obedecer à troika, que é preciso pagar as nossas (deles) dívidas e que geralmente votam e mandam votar nos partidos que nos (des)governam: PSD e CDS. Afinal, tem de ser apenas o povo trabalhador a pagar a crise que outros fizeram? Parece que estamos na Idade Média, em que só Povo pagava eo clero e a nobreza apenas tinha regalias e rendimentos! É. Estamos a voltar à Idade Média.