A função inicial da Universidade da Madeira foi, no essencial, a de formar quadros superiores do Estado para a Região Autónoma da Madeira, com particular incidência na formação de professores, muitos dos quais lecionam hoje nas diversas escolas da Região. Este foi seguramente um dos importantes contributos que a UMa deu à Região pelo efeito multiplicador que o ensino possui no desenvolvimento pessoal, cultural e social. A oferta formativa da UMa tem evoluído ao longo da sua curta história, evidenciando a sua capacidade de se adaptar, de criar novas oportunidades e de contribuir de forma contínua e diversa para o desenvolvimento da Região. Assumo, sem qualquer hesitação, que o reconhecimento do papel e importância da UMa é partilhado por muitos madeirenses e não só. As minhas preocupações são outras. Recordo-me que quando comecei a lecionar na UMa, nas defesas públicas dos então Trabalhos Finais de Curso (licenciaturas de 5 anos), era uma prática corrente perguntar aos candidatos se já sabiam o que iriam fazer após a conclusão do curso e se estavam a pensar em sair da Região. Só uma insignificante minoria dos alunos admitia essa possibilidade e eu ansiava por uma mudança de atitude. Achava, e ainda acho, que era importante que alguns dos nossos alunos fossem expostos a outras realidades, a outros contextos. Aqueles que quisessem regressar iriam trazer experiências que seriam importantes partilhar, trazer ligações com empresas de fora da Região, trazer novas oportunidades. Hoje a minha angústia é vê-los todos a partir. Enganam-se aqueles que possam estar a pensar que este é um problema regional, ou em especial da RAM. É seguramente um problema transversal a todo o país. Como é óbvio, algo de muito errado acontece quando uma sociedade não é capaz de aproveitar os seus jovens mais bem qualificados, no exato momento em que eles se tornam produtivos, no exato momento em que com os seus conhecimentos, criatividade e entusiasmo podem fazer a diferença. Eu tenho tido a sorte de trabalhar com alguns jovens talentosos e acreditem que vale a pena investir um pouco mais neles. Sei que a universidade terá de desempenhar um papel mais assertivo no desenvolvimento económico da Região, mas em que moldes e que estratégias adotar é uma preocupação que a todos deve assistir. Os modelos de investigação e desenvolvimento científico, para terem efeitos sustentáveis e estruturantes, devem de estar aliados a uma perspetiva de inovação que alavanque o desenvolvimento de produtos e serviços com valor económico. Dentro daquilo que julgo ser necessário fazer, tenho acompanhado com entusiamo o trabalho que a jovem equipa da Dra. Patrícia Caires tem realizado no CEIM (Centro de Empresas e Inovação da Madeira) com projetos como o rs4e e, mais recentemente, o startWEB. Vejo como natural e desejável uma pareceria estratégica entre a UMa e o CEIM na criação de uma cultura de inovação e empreendedorismo junto dos universitários. Todavia, outras parcerias terão de acontecer para se criar um ecossistema competitivo e sustentável à criação de novas empresas e fixar e trazer de volta à região alguns dos nossos melhores talentos.

* Pró-reitor da Universidade da Madeira

Leonel Nóbrega *