António Ferreira Dr. Bruno Pereira, não julgue que sou daqueles que encaram o seu percurso político como terminado. Apesar do zunzum dos teóricos políticos de taberna, não sou capaz de considerar que um político com o seu perfil e brio seja maculado por uma mera derrota eleitoral. Não hesito em reconhecer que o seu labor na autarquia do Funchal é meritório. Porém, a sua conduta no período posterior a 29 de Setembro suscita em mim reticências. Daí escrever esta missiva para provocar em si alguma reflexão. Eu questiono se as iniciativas que tem levado a cabo como vereador se incluem na função de um membro da oposição. Pelo que o meu discernimento me diz, está a agir por despeito, e não com responsabilidade. Recordo que o papel de um membro da oposição não é minar a boa governação, mas sim fiscalizar a mesma. Mantenho a interrogação quando aprova medidas demagógicas como foi aquela “montada” pelo CDS no caso da devolução do IRS. Posso fundamentar esta observação: basta ler os argumentos que utilizou contra o corte no IMI. É incompreensível que não tenha aplicado os mesmos critérios em ambos os casos, se assim o fizesse esta proposta não iria avante. Eu tenho consideração pelo Dr. Paulo Cafôfo, que tem dado os primeiros passos de forma valorosa. Pergunto: se o Dr. Bruno Pereira estivesse no lugar de presidente da câmara como reagiria aos entraves - se me permite a ausência de eufemismos - que têm sido colocados ao projecto da mudança no seu âmbito de acção? É que se acumularmos a situação financeira da câmara com constrangimentos na arrecadação de receita, dou lugar a um bloqueio político insensato pelas piores razões. Um político na oposição, fiscaliza e propõe alternativas. Se prefere minar a boa governação, deixa de servir os munícipes, porventura dando razão aos teóricos de taberna que mencionei logo no início desta carta.