Quando analisamos, por exemplo, as questões relativas à segurança aeronáutica, ninguém contesta a importância da experiência dos pilotos, a formação e as condições de trabalho seguras, a qualidade dos equipamentos e o rigor na manutenção. Mas, e se em vez de analisarmos a aviação, nos detivermos na forma como cuidamos da vida humana quando acossada pela doença? Certamente não encontramos argumentos para uma abordagem distinta. Vejamos a situação dos cuidados de enfermagem na Madeira. Muito pela dedicação dos nossos enfermeiros, pela excelência das duas escolas de enfermagem, pelo investimento na formação dos recursos humanos na última década, atingimos elevados padrões de qualidade e acessibilidade, mas o paradigma mudou. A Ordem dos Enfermeiros fala agora em “revolta e frustração”. O sindicato em “coacção e desmotivação”. Revolta, pela redução drástica no rácio regional de enfermeiros, numa região com 54 centros de saúde e 3 hospitais mas pouca população, o que não permite qualquer economia de escala e obriga a um rácio muito superior. Frustração, pois todos os enfermeiros formados na Madeira desde 2008 só têm horizonte profissional no estrangeiro, condenados à emigração onde são apreciados. Coacção, pois o clima de trabalho em que trabalham é agora completamente politizado. Pior, é valorado o silêncio, mesmo perante a carência de medicamentos, alimentação e tempo assistencial. Desmotivação, pois as chefias privilegiam a obediência sobre o mérito profissional, privilegiam o isolacionismo da classe em vez da cooperação com médicos, auxiliares e assistentes sociais. Vêem o desdém como o regime vigente, trata propostas inovadoras do CDS/PP-M como o Enfermeiro de Família, já implementado nos Açores, as Dotações Seguras acordadas no Serviço de Saúde do continente, propostas que já apresentamos na Assembleia. Angústia define-se como o sentimento de abafamento, insegurança, falta de humor, ressentimento e dor. Infelizmente, é o sentimento dos enfermeiros madeirenses.

Mário Pereira Deputado do CDS-PP