Dentro de poucos dias o Nacional comemora os seus 103 anos de vida, um clube que surgiu da vontade colectiva e intenção de independência em relação ao Ateneu Comercial local onde, à semelhança dos clubes que vão surgindo por toda a Europa, encontram-se pessoas para discutir a actualidade, estabelecer relações pessoais, profissionais e de influência e ouvir as mais recentes notícias. Do Campo do Brás ao Campo dos Pinheiros foi uma questão de tempo e o grupo de rapazes rapidamente se tornou no Nacional Sport Grupo. Ao sentir-se demasiado dependentes e face à intenção do Ateneu em anexar “os miúdos”, o grupo de rapazes liderado por Antonino Figueira volta a reunir-se nos bancos de jardim. Esta cisão lança alguma controvérsia sendo usada, ainda hoje, em discussões e rivalidades clubistas, nomeadamente quanto ao ano de fundação do Nacional provocações às quais os nacionalistas respondem com os dois anos em que o clube rival esteve encerrado. O Nacional surgiu com a intenção de fomentar a actividade desportiva mas também dava importância à “educação intellectual dos seus associados conservando e desenvolvendo a sua biblioteca e gabinete de leitura, pela aquisição de livros, revistas, jornaes e outras publicações literarias, bem como a realização de reuniões familiares, palestras, conferencias scientificas e desportivas” (Estatutos datados de 1927, ano da inauguração do nosso Stadium dos Barreiros). Determinação, persistência, visão de futuro, competição e alguma rivalidade são alguns dos factores que fizeram este clube sobreviver. Hoje, o Nacional continua a alimentar paixões, a acender discussões e a marcar, fortemente, a sua presença nos mais variados quadrantes da sociedade. Mais um aniversário comemora-se e mais razões teremos este ano para festejar.

Andreia Nascimento