Escrevi na última crónica que no jogo em Alvalade, e apesar do resultado menos favorável, poderíamos ter ganho uma equipa. O embate com o Gil Vicente veio provar isso mesmo. Mas este jogo esteve longe de ser fácil para as nossas cores. Para começar o ambiente entre os locais não era o melhor. Apesar do apoio (quase) incondicional a Pedro Martins, o próprio afirmava antes da partida que uma nova derrota o levaria a tomar “a medida adequada”. Para bom entender meia palavra basta. Apesar da boa campanha na Taça, o Marítimo vinha de cinco desaires consecutivos na liga e não ganhava desde Setembro. Do outro lado estava um surpreendente Gil Vicente que vinha de uma série de três triunfos seguidos e segurando o quarto lugar na tabela. Favorável ao Marítimo apenas a história (nunca a equipa de Barcelos venceu nos Barreiros) e uma enorme vontade de mostrar que a posição na tabela não corresponde ao valor real da equipa. Apresentando-se em campo com um novo quarteto defensivo (J. Diogo, Gege, Igor e R. Ferreira), à frente do estreante Welligton, com o mesmo trio no meio-campo que se apresentou frente ao Sporting (J. Luiz, A. Soares e Weeks), no apoio à linha mais avançada (Heldon, Sami e Derley), o Marítimo entrou forte e pressionante, e o primeiro golo foi apenas o corolário do jogo mais perigoso e assertivo dos verde-rubros. Do outro lado estava uma equipa que tentava se manter em jogo mas totalmente dominada pelo vigor ofensivo dos verde-rubros. Porém, como tem sido apanágio da equipa esta temporada, cá atrás tudo treme, e em dois momentos caídos do céu, o Gil Vicente alcança o empate sem que nada tivesse feito para isso. Para termos uma ideia da injustiça que pairava nos Barreiros, os gilistas fizeram cinco remates ao logo dos 90 minutos, duas vezes na primeira metade e três no segundo tempo. Atendendo a todas as condicionantes à partida, o resultado ao intervalo podia ser muito comprometedor. Mas a formação verde-rubra não se deixou abater e na segunda parte encostou os gilistas às cordas, o que é também demonstrativo da força mental que Pedro Martins incutiu na sua equipa. Heldon foi sempre um diabo à solta, sempre em alta rotação e um verdadeiro terror para aquela que era a 4ª melhor defesa do campeonato. Derley nunca deu descanso e foi um tormento, bem acompanhado por Weeks, na primeira parte, e Artur, na segunda. João Diogo e o Rúben nas faixas foram sempre muito acutilantes e, claro, o miúdo, Alex Soares, abriu o livro na etapa complementar, jogou e deu a jogar, e, cereja no topo do bolo, marcou um golão que deixou os três pontos na Madeira. Disse-o após o jogo frente ao Sporting e digo-o agora: a jogar assim temos equipa! Ainda há pormenores que necessitam de lima. A posição ‘seis’ requer revisão, embora João Luiz não tenha comprometido, ainda não convence. A defesa continua a tremer e os 21 golos sofridos em dez partidas são um péssimo registo! Vale o quinto melhor ataque do campeonato (16 golos). Consiga Pedro Martins dar estabilidade ao sector mais recuado, mantendo a acutilância ofensiva, com uma ida cirúrgica ao mercado de inverno, e estaremos em condições de lutar pelos objectivos propostos. Um bom resultado em Arouca e podemos lançar a recuperação na tabela. Entretanto, o Marítimo ficou a conhecer os seus adversários para a Taça de Liga e Taça de Portugal, com a curiosidade de defrontar o Penafiel em ambas. Se da Taça da Liga pouco se espera enquanto se mantiver o presente formato (ainda por cima com FCP e Sporting no mesmo grupo), o Marítimo tem fortes possibilidades de avançar para os quartos-de-final da Taça de Portugal, até por beneficiar do factor casa. É uma oportunidade a não desperdiçar.

Luís Miguel Rosa