O empate do Nacional no Dragão vale o que vale. Um ponto e nada mais! Esta é, em termos absolutos, a primeira ilação a tirar de um jogo que deixou muitos portistas com o “coração na mão”. E também de lenços na mão, contrariando a opinião do treinador dos portistas, que afirmou ter sido uma tremenda injustiça o resultado para a sua equipa. De resto, o treinador do FC Porto esqueceu-se que, apesar do domínio natural dos campeões em título, poderia ter saído com uma derrota, caso funcionasse mais algum dos contra-ataques venenosos do Nacional. E também não deve ter visto Jack Martinez marcar o tento da sua equipa, em posição que nos pareceu irregular, embora de difícil ajuizamento para o árbitro do encontro. E Paulo Fonseca deveria também de reconhecer que, nesta partida, não ganhou porque no confronto direto com o treinador do Nacional, ele perdeu. Manuel Machado montou o esquema com rigor, e pese a primeira parte não tivesse corrido como ele certamente desejaria, conseguiu reagir rápido ao golo dos “azuis-brancos” e conseguiu adormecer a equipa adversária. E depois de adormecido, aplicou-lhe o golpe fatal. Daí que, discordemos de Paulo Fonseca, e consideremos o resultado mais do que justo. O futebol não é ciência exata e nem sempre a equipa que remata mais, ganha ou merece ganhar. Existe, para além deste básico conceito, outras nuances que são determinantes. O Porto dominou o jogo, porque jogando em casa e sendo um candidato ao título, era natural que o fizesse. Mas, também é certo que fazia parta da estratégia do Nacional, fazer com que o adversário tomasse conta das operações. As entradas de Mateus, Diego Barcelos e Lucas num curto de espaço de 6 minutos, baralharam um F. C. Porto que está muito longe daquilo que nos habituou nos últimos anos. E, foi no banco que tudo se decidiu, e aí Manuel Machado levou a melhor. Em suma, deu para ver a diferença entre um grande treinador e um treinador de um grande. Este jogo vem, de resto, confirmar aquilo que sempre afirmamos. Esta equipa do Nacional está talhada para jogar em contra-ataque e fora de portas poderá trazer muitos pontos que serão importantes para garantir o tal lugar europeu. Para isso, Manuel Machado terá que arranjar uma outra equipa para os jogos caseiros, para defrontar as equipas que chegam ao Estádio da Madeira e fazem o mesmo que os “alvi-negros” nos campos forasteiros, ou seja defender com unhas e dentes e jogar no contra-ataque. É que, um candidato à Europa não pode perder pontos em casa com, Arouca ou Olhanense, clubes que lutam pela manutenção. P.S. – A confirmar-se a saída de Mateus para Angola, o Nacional perderá, não só um grande jogador, mas também um grande homem. Obrigado, Mateus! Espero, que até à sua saída, possa chegar aos 150 jogos com a camisola do Nacional ( só faltam dois jogos ) e que consiga a marca dos 40 golos ( apenas faltam quatro).

Miguel Guarda