O processo de selecção e recrutamento adentro dos partidos políticos é certamente o processo mais fechado e mais opaco da vida política. Às regras formais instituídas pelos estatutos de cada partido, alinham-se lógicas informais de saber quem pode ser escolhido no processo interno de selecção dos candidatos. Á elegibilidade formal nem sempre corresponde as condições necessárias conducentes, ao processo de candidatura. A competição intra-partidária é um terreno escorregadio e ferreamente controlado pelas estruturas dirigentes. É inerente à própria estrutura interna de poder e à organização dos partidos políticos, tendencialmente oligárquicos, impõem constrangimentos à contestação política plural, que desafiem as lideranças estabelecidas. Incentivar a competição intra-partidária corresponde a disputar as bases sociais dos partidos; partilhar e promover a democracia interna; envolver e desafiar militantes à participação política; apresentar, discutir e defender projectos e ideias políticas. Armadilhar estatutos e regras institucionais com o objectivo de cristalizar lideranças e práticas políticas poderá ser tentador na manutenção e exercício do poder. Não permitir a renovação da classe política e a competição política é subverter, não só o funcionamento interno dos partidos políticos – que ultrapassaram a barreira da esfera privada e alicerçaram a sua sobrevivência na esfera pública – mas de todo o sistema partidário e do sistema político. A cristalização das lideranças partidárias e/ou governativas concretizam na mesma proporção as dificuldades institucionais e políticas dos grupos políticos da oposição (interna e externa). Consubstanciam um ambiente de bloqueio democrático onde imperam as lógicas dos sindicatos de voto e dos caciques locais, num claro “jogo desigual”, vantajoso aos grupos que obtenham a “obediência” e lealdades cerradas dos militantes. Refletem também, na sua dimensão externa, as práticas internas de governação, num processo de encontros e desencontros, onde ignoram as consequências e os custos da captura de uma sociedade, também ela, inebriada por um cardápio (por sinal decrépito) de lérias e larachas. O tempo esgota-se, os modelos e os paradigmas tornam-se anacrónicos…enfim, o tempo de vida política é comum a todas as organizações partidárias.

Teresa Ruel