José António Freitas Quando se aproxima a época do Natal, vêm ao de cima, histórias cheias de ternura, de amizade, de solidariedade, histórias com muita moral, contadas aos serões nas noites grandes e frias de inverno. Esta história é diferente. É de mudança de mentalidade, ou de resistência à mudança. Um senhor, empregado de uma merceraria, e por confiança extrema do dono ausente, era ele que geria o negócio. E foi assim durante muitas décadas. No final de cada ano entregava ao patrão quantias razoáveis de dinheiro a título de lucros, o que satisfazia bastante o patrão e o convencia da lealdade e competência do empregado, sem se preocupar com a forma como era gerida o negócio. Entretanto o empregado leal, ao longo dos anos meteu na mercearia, o filho, o genro e finalmente o neto, controlando assim o negócio e os parentes. Com a evolução dos tempos, a merceraria caíu em desuso, mas os gastos mantiveram-se sempre elevados, e nos últimos anos só dava prejuízos. O dono começou a ficar preocupado. Quando se inteirou da forma como estava a ser gerido o negócio apercebeu-se dos empregados que tinha e da relação de parentesco existente entre eles. Questionou o zeloso empregado e este defendeu que só assim, tinha os empregados leais e disponiveis, bastante produtivos. A culpa dos maus resultados, dizia ele, era dos supermercados que surgiram por moda , mas que com o tempo, a situação voltaria ao antigamente. Perante este argumento, o dono só teve uma opção! Promoveu o neto, rapaz inteligente e de visão, a gerente, e este último, mandou o avô para casa, antes do Natal que se aproximava. O avô recolheu a casa à força, contrariado e convencido, que os tempos voltariam ao antigamente. Segundo me lembro da história, a merceraria passou a supermercado, fez parcerias, e tornou-se um negócio melhor que o anterior. O avô... esse... nunca quis entrar no supermercado!