Com a marcação para este fim de semana o Congresso do Desporto Madeirense devia ser um debate livre, alargado e abrangente até ao futuro. Naquele espaço de eleiçao, hoje hipotético, onde as opiniões seriam servidas em grandes doses, diversas e pluridisciplinares, fruto do contributo de outras tantas áreas e de diferentes agentes, não creio que o desporto madeirense ficasse de todo e em absoluto vinculado a essas ideias. A primeira nota, vai para a concetualizaçao do programa do congresso pois refletia desde já uma filosofia moderna. A atividade humana, e o desporto em particular devem ser entendidos não como uma prática em si mesma, mas com uma grande diversidade de presupostos mais adaptados a este novo seculo. Desporto, saúde, turismo, socialmente ou economicamente falando, conceitos mais vastos, de contributos e de várias valências que por si só justificam o investimento público na aquisição de hábitos de prática regular. Acredito sim, que as comunicações e o debate contribuiriam para a construção de um espetro de linhas orientadoras ou mesmo estratégicas para o futuro do desporto madeirense. Na verdade, também acredito, que o desporto, a sua prática e a sua promoção tem de ser alteradas, porque o quadro de referências foi modificado. Insistir numa metodologia que teve determinado sucesso no passado, mas que esta desadaptada a realidade atual, é sinal de intransigência, de hipotecar o futuro e de insucesso assegurado. Este debate marcado e adiado, já era tardio, se tomarmos em consideraçao que o movimento desportivo regional, os orgãos institucionais que tutelam o desporto, e a comunidade científica, deveria ter antecipado o atual quadro desportivo regional, preparando e planeando estratégias para as mudanças imperativas que o desporto acolheu, nem que fosse pela diferença de recursos financeiros que o desporto dispõe atualmente e se confrontou. A participação dos diversos agentes conferiria uma maior responsabilização e necessariamente um envolvimento e empenhamento acrescido, no traçar dos novos destinos. A inclusão explícita do desporto profissional tem o mérito de sublinhar determinada filosofia, mesmo de afirmar uma orientação, que provavelmente mais presa ao passado, do que no mínimoa uma reformulação dos novos paradigmas da actividade física e do desporto. O congresso do desporto e a sua realizaçao já era uma promessa de há muito, eleitoral e de tomadas de posse, pelo que o seu cancelamento pode antever alguma falta de vontade para com movimento desportivo, de contribuir, confrontar e debater o presente e construir o futuro.

Rui Mâncio Director técnico da AFM