José António G. de Freitas Foi anunciado pelo Governo o Orçamento Geral do Estado para 2014. Sendo as minhas espetativas baixas em relação a isso, é preocupante a obsessão do governo em insistir numa austeridade desmedida, agravando ainda mais a situação económica e financeira das empresas, das famílias. Se o orçamento deste ano pecou exatamente pela austeridade excessiva, que veio a se refletir negativamente na economia do país, diminuindo significativamente o poder de compra das pessoas, com reflexo imediato no consumo interno, no desemprego, e consequentemente nas próprias receitas de impostos, e no aumento das prestações sociais, o orçamento do próximo ano, e de acordo com o que foi anunciado pela ministra das Finanças, vai arrasar por completo a economia do país. É importante pensarmos em termos macro-económicos, mas não podemos esquecer que mais de 90% das nossa empresas, são pequenas, viradas para o mercado interno. Assim, este orçamento vai acelerar o encerramento das empresas que ainda lutam pela sobrevivência, na esperança de alguma recuperação e provocar mais desemprego. O governo estima uma taxa de desemprego na ordem dos 17,7%. Pois eu atrevo-me a dizer que, face ao que aí vem, poderá passar dos 20%. Os cortes cegos, agravados, dirigidos aos funcionários públicos, que representam uma fatia significativa da população ativa, e com relativo poder de compra, parecem mais um ato de vingança do governo, em relação ao tribunal constitucional. Os pequenos sinais de recuperação da economia que se registam atualmente, serão completamente destruídos. Voltaremos atrás novamente. Curioso é a atitude de “soldado leal”( posto mais raso na linha militar) do Dr António Pires de Lima, ministro da Economia. Depois de lá estar, ficou sem discurso, quando é o momento histórico da economia. Austeridade gera austeridade! Não saíremos disto enquanto não mudarmos o modelo de governação. Fica a dúvida se há intenção do governo em mudar, ou se outras intenções obscuras, internacionais, sobrepôem-se.