Passados quase 40 anos do 25 de Abril e, quase o dobro, de um regime de ditadura, ainda não aprendemos! Não consigo perceber, o porque de tanta dificuldade, em perceber o que é óbvio. Alguém tem dúvidas, que a melhor herança, que podemos deixar a um povo, é a qualificação dos seus recursos humanos? Alguém consegue perceber que, um país, região, sociedade, empresa ou seja lá o que for, não poderá hoje crescer e modernizar-se, se não tiver os seus recursos humanos qualificados? A aposta na educação, formação, qualificação profissional bem como na investigação, deveria ser hoje, mais do que nunca, a grande aposta dos nossos Governos, para além dos investimentos públicos que incentivam o crescimento das economias. Um país com infra-estruturas e com um povo sem qualificação e habilitações, é um país pobre e sem futuro. Tal como é fundamental para o crescimento de uma economia, o investimento público, pela sua capacidade geradora de criar riqueza, postos de trabalho e sinergias complementares em actividade económica, também a educação, formação cívica, técnica e qualificações profissionais, são o bom garante de uma sociedade que se quer moderna, livre, democrática e capaz de assegurar o bom desenvolvimento de uma sociedade. O que temos visto no nosso país é incrivelmente mau. Ano após ano, assistimos a cortes sucessivos e cegos nos orçamentos das Universidades pondo em risco o seu desenvolvimento, crescimento ou pior do que isso, a sua existência. Aposta-se no ensino privado em detrimento do ensino público. Nada contra o ensino privado, bem pelo contrário, mas não se pode “alimentar” o privado e cortar no público! O ensino público tem, entre muitas outras obrigações, de preparar uma sociedade para ser mais justa, equitativa e democrática, sobretudo pela igualdade de oportunidades. Os cortes nas Universidades são um atentado aos nossos jovens. Mais uma vez, convidamos o nosso alicerce de sociedade (os jovens), a saírem do país e a ajudarem a desenvolver outras cidades e regiões. A austeridade é necessária, mas acima de tudo, o que se pretendia era equilibrar as contas públicas e não, destruir o futuro de uma geração e consequentemente o futuro da nossa sustentabilidade. Falta estratégia para o desenvolvimento do nosso país…, falta educação, qualificação e formação!
Pedro Calado Administrador