Um orçamento é um plano financeiro estratégico de uma determinada administração para um determinado exercício. Como bem sabemos planos são planos e, por vezes, os planos não correm como pretendemos e muito menos como os havíamos previsto. Há quem considere o orçamento da RAM para 2014 um bom orçamento. E há muitos que o consideram mau. E esta acepção, em meu entender, está relacionada com o valor global da famigerada previsão orçamental. Não tenhamos dúvidas, o factor mais importante, aquele que irá definir se estamos perante um bom ou um mau orçamento, são as prioridades que ali constarão. E por falar em prioridades, estou certo de que perante o quadro socio-económico que estamos a atravessar, impõe-se que este seja o orçamento do emprego. A promoção do emprego, fortalecendo o frágil tecido empresarial regional deve ser a prioridade defendida por todos os quadrantes políticos para ORAM e PIDDAR 2014. Conhecemos perfeitamente as dificuldades que as famílias atravessam, muitas delas relacionadas com o factor desemprego, que não poucas vezes atinge mais do que um elemento do agregado familiar. Para estas situações tem o Estado de Direito dar uma resposta, não só através de uma política social de apoio imediato às pessoas que estão nestas situações, mas também através de mecanismos de apoio à criação de postos de trabalho por forma a atalhar este flagelo que está a levar milhares de madeirenses ao desespero, à emigração e a um futuro incerto. É necessário um orçamento com medidas de apoio social assertivas e incisivas. É necessário um orçamento que alivie a carga fiscal a que estamos todos submetidos devido à tripla autoridade. Mas, acima de tudo, um plano e orçamento que relevem como prioridade o emprego. Por isso, está nas mãos do Governo e na sua abertura para aceitar (ou não) as propostas políticas da oposição o contributo final para um bom ou um mau orçamento. Tão simples quanto isto.

Orlando Fernandes Presidente da JS-Madeira